segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

SOBRE CHÁS DE BEBÊ E MULHERES SOLTEIRAS

SOBRE CHÁS DE BEBÊ E MULHERES SOLTEIRAS


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Ontem fui no chá de bebê de uma prima. Mais precisamente o “Chá Revelação”, uma moda nova onde os pais do bebê pediram uma amiga pra entrar no dia do ultrassom, o médico revelou o sexo para a amiga, os pais não souberam, e a amiga foi na confeiteira e encomendou o bolo. Recheio rosa se fosse menina e Azul se fosse menino. Durante a festa, o sexo foi revelado para todos quando ela cortou o bolo. No caso, para alegria da prima e do marido, o bebê é uma menina.

 Ao participar da festa, me deparei com um universo completamente distante da minha corriqueira realidade. Muitas famílias com crianças pequenas. Um universo bastante barulhento como comentou a tia da prima.

Observando toda aquela movimentação, fiquei pensando se um dia eu estaria naquele lugar da minha prima, da mulher grávida, feliz por estar realizando seu sonho, ou dos pais andando atrás dos filhos pequenos, ou daqueles que vigiavam os filhos maiores nos brinquedos...

Talvez, se eu estivesse na faixa dos 30 anos, eu ficasse angustiada por ser uma mulher solteira e sem namorado. Perto dos meus 30, ter uma família era meu grande sonho, mais que sonho, um sentido de vida. Naquela época, por algum motivo desconhecido “caiu uma ficha” de que eu poderia nunca realizar meu sentido, e caí num vazio, numa crise existencial. A saída para mim foi redefinir o sentido de vida voltado para mim, para meu crescimento e melhoria como pessoa.

Mas hoje, aos 37, não há mais uma angústia de ser uma mulher solteira, sem namorado e sem filhos. Venho trabalhando comigo a aceitação da minha realidade como ela é. Algumas coisas na vida (uma boa parte) não temos controle e essa é uma delas.

Fiquei pensando nas mulheres que sonharam e ainda sonham com casamento e filhos. Um chá de bebê pode ser um estímulo extremamente angustiador e ansiogênico. Mostra a sua falta. O que elas não têm, seu vazio existencial.

É muito difícil lidar com esse vazio se não conseguimos construir algum autoconhecimento e a partir dele redefinir nossos propósitos existenciais. Muitas vezes somos impotentes diante de certos desejos e se não aceitarmos essa condição, seremos tragados numa profunda dor, ou em compulsões, ou numa busca dolorosa, ou aceitação de relacionamentos não dignos para viver a qualquer custo esse desejo.

Como ter o desejo, mas não ser tomado de ansiedade para alcançá-lo?

Nossa vida precisa ter um sentido individual, um motivo pelo qual vivemos por nós mesmos, independente das experiências externas que gostaríamos de viver. Quando nosso sentido de vida está claro, todas nossas vivências são dádivas a desfrutar e sempre estaremos atentos aos aprendizados oferecidos pela vida, mesmo quando dolorosos.

Quando brigamos com a vida por ela não realizar nosso desejo, ficamos infelizes e miseráveis. Quando aceitamos a realidade, um mundo de possibilidades inimagináveis se abre a nossa frente.

Hoje, um chá de bebê não me provoca sentimentos negativos, apenas reflexões. Se algum dia eu estiver naquela posição, vai ser por uma escolha amorosa e um desejo de viver a experiência da maternidade, mas não por uma ansiedade e vazio. Se eu nunca estiver naquela posição, eu continuarei desfrutando da minha digna realidade com amor e alegria!


E você querida leitora solteira, onde você se encontra nesse processo? Deixe seu comentário abaixo!

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagran: @solteirosecasais


Referência da Figura:
1. foto extraída do google imagens


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4 comentários:

  1. Texto maravilhoso, Dri! Equilibrio, aceitação, esse é o caminho para todos nós. Continue escrevendo!

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    1. Gratidão Natália!
      Agradeço o incentivo também!
      Abraço saudoso

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  2. Adriana, tenho me enxergado em seus textos... Sentimentos bem semelhantes diante situações parecidas. Hoje, aos 30, solteira e sem filhos busco, justamente, intensificar meu autoconhecimento para não cair nas armadilhas da ansiedade de realização de meus desejos... Seus textos são maravilhosos!!!

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    1. Que bacana Verônica!
      Fico feliz que você se identifique e que os textos possam te ajudar no seu processo de autoconhecimento!
      Fico muito grata pelo seu retorno!
      Um abraço!

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