sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

BRIGAS DE NATAL

BRIGAS DE NATAL


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Este ano resolvi escrever um texto nada romântico sobre o Natal. Celebrações onde as famílias extensas se encontram, são campos propícios para que o mal resolvido das relações venha a tona com toda força.
Ouço muito na clínica sobre pessoas que não gostam do Natal, ou porque a família não cultivou um espírito de celebração prazerosa, ou porque ocorreu uma perda importante nessa época, ou porque os encontros natalinos são tensos devido aos conflitos que ocorrem.
Então, Natal não significa paz, amor e solidariedade pra todo mundo, infelizmente.
Muitas vezes o conflito começa entre o casal: em qual família de origem passar o Natal? Se existe tradição nas duas famílias, cada um pode querer puxar pro seu lado. Se as famílias moram longe, piora a situação. Por trás dessa questão, existe um esquema de lealdade às origens. Muitas vezes o casal sai dividido, cada um vai pra sua família de origem. Como nova unidade familiar, o casal não deveria se separar, mas eles não sabem negociar entre si uma decisão plausível, não querem abrir mão. A negociação é um aprendizado fundamental assim como escolher a quem você será leal: ao seu novo sistema casal-familiar ou à sua família de origem.
Outro ponto que gera conflitos é o excesso de bebida. As pessoas quando passam do limite do álcool, são acometidas de um encorajamento para falar sentimentos que ficam ocultos em sã consciência. Estes sentimentos vão sair em forma de cobranças e acusações sobre o que o outro não deu ou deixou de fazer, ou fez e não devia ter feito. Mediante a acusação, a outra pessoa vai levantar um muro de defesa se distanciando cada vez mais e gerando mais ressentimento, ou vai responder como aquele ditado “a melhor defesa é o ataque”. Assim está instalada a confusão.
Por detrás dessas cobranças e acusações, fica muito claro, do ponto de vista psicológico, que as pessoas não se tornaram adultas. Elas ainda estão magoadas com as feridas infantis, e presas em expectativas de que os familiares fossem finalmente amorosos.
Nos encontros natalinos, as dinâmicas relacionais se repetem. Pais, irmãos e parentes continuam com suas dificuldades amorosas do passado. Nada mudou. As famílias evoluem muito pouco ao longo dos anos. Nem sempre os pais ficam sábios na velhice, eles também continuam repetindo suas antigas doenças emocionais.
É uma ingenuidade ficar esperando essas mudanças. É uma infantilidade.
As famílias também continuam a fazer os mesmos jogos emocionais do passado. Se o indivíduo não aprendeu a se separar do caos emocional de sua origem, ele com certeza irá cair nesses jogos mais uma vez, se envolvendo e se machucando.
Como não cair nesses jogos familiares? Como se despir das expectativas?
Na psicoterapia trabalhamos, entre muitos, dois pontos importantes:
Separação Emocional da Família de Origem
A separação emocional significa investir no processo de se tornar verdadeiramente adulto.
É encarar suas carências infantis, abandonando a intenção infantil de ser amado de forma idealizada.
É parar de cobrar o amor dos pais e da família e aceitá-los exatamente como são, com todas suas limitações humanas.
É investir cada vez mais no aprendizado de cuidar de si mesmo com qualidade, de atender suas necessidades afetivas, emocionais, físicas, intelectuais, psicológicas e espirituais.
Autoestima
É o aprendizado de gostar de si mesmo, independente das qualidades e defeitos que possui.
Significa buscar coerência, sintonizando pensamento, sentimento e ação, ou seja, agir conforme você pensa e sente.
É também aprender a respeitar seu limite e o limite dos outros, estabelecendo fronteiras saudáveis.
Inclui o movimento de abraçar o seu passado com compaixão e abraçar o seu futuro com firme decisão.
É tornar-se responsável por todos os aspectos de sua vida e trabalhar pela sua melhoria e dos demais a sua volta.

Então, se você cuida de você bem, se tem uma autoestima saudável, se não tem mais (muitas) expectativas com sua família, os conflitos familiares serão compreendidos de outra forma e você saberá onde deve ou não deve intervir, quando deve colocar limites e quando deve ir embora.
As Brigas de Natal refletem as dinâmicas emocionais familiares. Algumas pessoas ficarão presas e repetirão essas relações nas gerações seguintes. Outras farão a escolha de tornarem-se adultas.
Qual sua escolha, estimado leitor?

Desejo a todos um Natal reflexivo e de crescimento pessoal pra todos!

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagran: @solteirosecasais


Referência da Figura:
1. foto extraída do google imagens


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