segunda-feira, 27 de junho de 2016

NUNCA USEI BOTOX

NUNCA USEI BOTOX



botox, nunca usei botox

Sim, eu ainda resisto ao botox aos 36, enquanto garotas de vinte e poucos já fazem uso contínuo. Sim, eu uso produtos anti-age e para a saúde da pele há anos. Sim, eu já fiz uma cirurgia plástica. Sim, eu já estou começando a ter rugas e me orgulho delas. Por que então escrever um post sobre esse assunto? Para levantar uma reflexão sobre qual o equilíbrio entre o cuidar de si e a escravidão a uma cultura mercadológica da beleza e o quanto essa cultura nos afasta da verdadeira autoestima.
O mercado precisa vender, e para tal, produz não apenas produtos de consumo, mas também ideias sobre como a vida deve ser, sobre felicidade, prazer e bem estar. Essas ideias passam por uma inteligente elaboração de marketing chegando a nós de forma mais subliminar do que explícita e vão construindo de forma generalizada nossos conceitos.
Nossa educação, tanto escolar quanto familiar, nem sempre nos ensina a ter senso crítico sobre as informações que recebemos. E por isso muitas vezes compramos uma ideia de felicidade que nem sempre corresponde aos verdadeiros desejos do nosso self mais profundo.
Outra deficiência de nossa educação é não investir no desenvolvimento do autoconhecimento. "Conhece a ti mesmo" é um aforismo grego de autoria incerta (geralmente atribuído a Sócrates), mas bastante conhecido por todos nós. Se nos fosse ensinado desde o berço, nos ajudaria a entrar em contato com nossas verdadeiras necessidades e desejos. Mas tanto as famílias quanto a sociedade e a política, têm muita dificuldade de lidar com seres pensantes, pois não sabem lidar com as diferenças nem com a oposição e argumentação inteligentes.
Dois requisitos básicos, autoconhecimento e senso crítico, já fariam a diferença para pensarmos o que realmente nos é valioso. Gastamos muito tempo, energia e dinheiro investindo em ideias vendidas pelo mercado, mas que nos trazem um bem estar provisório e ilusório. Gastamos pouca energia investindo em recursos que nos ajudariam e descobrir e alimentar nosso verdadeiro eu.
A autoestima pouco tem a ver com o conceito de beleza física vendido pelo mercado. Conheço mulheres lindas dentro desse padrão social, mas que têm uma autoestima muito baixa. Este sentimento está mais ligado a que tipo de relação eu estabeleço comigo mesmo: se me aceito como sou, se gosto de mim apesar dos meus defeitos e  se acolho minhas dificuldades, se faço um esforço para viver minha vida de uma forma consciente e adequada aos meus valores e se sou confiável para mim mesmo, se cumpro o que me prometi. Também se refere a uma busca de coerência, que significa uma constante tentativa de sintonizar nossos sentimentos e pensamentos com nossas ações. Quando somos duros, rígidos, julgadores, autoexigentes, críticos e não confiáveis para nós mesmos, nossa autoestima tende a ser comprometida.
Assim, não há botox que consiga fazer perdurar um sentimento de bem estar quando no fundo a pessoa tem um sentimento de incoerência e falta de amor próprio e quando necessidades mais profundas não estão sendo atendidas.
A grande questão não é “fazer ou não fazer Botox?”. Eu não tenho preconceito contra nenhum procedimento estético, sendo eu mesma uma usuária. Mas a questão mais importante, é pararmos para pensar se nossas necessidades estéticas são verdadeiras necessidades pessoais ou se são fruto dessas ideias mercadológicas que inconscientemente nos oprimem, e se também são parte da construção de uma ideia sócio-cultural de negação da velhice e do envelhecer.
Duas habilidades básicas se fazem urgentes: senso crítico e autoconhecimento. O quanto você tem investido nisso estimado leitor?

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagran: @solteirosecasais


Referência da Figura:
1. foto extraída do site: http://morguefile.com/search/morguefile/4/wrinkles/pop


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