segunda-feira, 2 de maio de 2016

SENTIMENTOS CONFUSOS

SENTIMENTOS CONFUSOS


Sentimentos, emoções, sentimentos negativos, controlar emoções

Infelizmente não fomos nem somos educados, até hoje, para reconhecer e tampouco para falar sobre nossos sentimentos. Nossas famílias, ao contrário, têm uma rejeição muito grande com nossos sentimentos, especialmente os negativos e na maioria das vezes nos ensinam a calar todos eles.
 “Engole o choro”; “fala baixo, senão os vizinhos vão ouvir”, “cala a boca, quem manda aqui sou eu”, são algumas das vozes que muitos de nós já ouviram na infância e adolescência, nos fazendo entender que nossos sentimentos são ruins e que devemos rejeitá-los.
Por outro lado, também podemos observar pais extremamente permissivos, que dão muito aos seus filhos no plano material, permitem fazer coisas inadequadas para a idade e para o momento, mas também não sabem compreender seus sentimentos e suas necessidades. A falta de limites e de frustração serão os maiores problemas nesse estilo de parentalidade, e limites também são entendidos como amor e segurança por parte dos filhos.
Assim, tanto a permissividade como o autoritarismo são duas faces da mesma moeda: pais inseguros, que têm dificuldades de enxergar e fazer uma leitura mais consistente e assertiva das demandas emocionais de seus filhos. São geralmente pais infantilizados, ou que têm problemas em assumir uma parentalidade adulta mais justa, nem largada nem violenta, ou que não têm disponibilidade emocional para se dedicarem aos filhos. Também não tiveram um bom modelo de parentalidade em suas famílias de origem, repetindo muitos padrões inadequados.
Se não possuímos essa educação e tampouco um espelho familiar para falar e tratar nossos sentimentos, esses “bichinhos”, quando aparecem dentro de nós, são extremamente difíceis de compreender, deixando-nos confusos, ansiosos, e as vezes até muito perturbados e doentes.
Pra piorar nossa situação, existe uma indústria farmacêutica que tem muito interesse em ampliar nossa confusão sentimental, e que passou a associar sentimentos com doenças, e consequentemente com a demanda por remédios. Tristeza virou depressão, raiva virou bipolaridade, falta de limite infantil virou hiperatividade e déficit de atenção, medo virou pânico, e isso para citar apenas algumas referências. Os profissionais da área da saúde acabam colaborando com essa lógica, na medida em que não se capacitam para fazer um bom diagnóstico ou quando só tratam sintomas sem conhecer o ser humano como um todo e inserido num contexto maior.
O fato é que, a psicoterapia costuma ser o contexto onde há uma maior tentativa de compreender, traduzir e elaborar os sentimentos. E nem sempre os indivíduos procuram por ajuda, podendo passar a vida inteira sem saberem lidar com suas emoções.
Eu faço psicoterapia há muitos anos, e posso dizer que aprendi muito sobre mim, sobre como minha história me afetou e afeta ainda hoje meu estado emocional, consigo perceber quando estou sendo dominada por uma emoção negativa, já tenho controle sobre muitas delas, mas muitas vezes ainda perco controle e entro num estado de angústia muito difícil de viver.
O que quero dizer com isso, é que, ter consciência, compreender e aceitar nossos sentimentos, não é garantia de que sempre vamos ter controle sobre eles. Em alguns momentos a tomada do nosso humor pelos nossos sentimentos é necessária e até saudável. Viver a tristeza durante um momento ou processo de luto é natural. Ter raiva quando você se sente abusado é muito necessário até para sair dessa situação. Ficar com medo diante de uma situação nova é completamente esperado.
Os sentimentos só se tornam patológicos quando ficamos cristalizados neles, vivendo e revivendo os mesmos ao longo de muitos anos. Eles se tornam assim quando fazem um gancho com nossas histórias de origem e com as emoções não resolvidas que carregamos do nosso passado.
Então, sempre teremos sentimentos inconvenientes sendo acessados pela nossa psique, dependendo do momento de vida, pois não é possível (a exceção talvez seja apenas o que alguns espiritualistas chamam dos iluminados – aqueles que transcenderam o ego) sermos completamente bem resolvidos nessa existência.
A diferença será entre aquelas pessoas que aprenderam a compreender e acolher seus sentimentos e buscam cuidar de si mesmas durante seus períodos de maior emocionalidade, e aquelas que os ignoram porque os temem demais ou que se anestesiam compulsivamente para não sentir.
Você conhece seus sentimentos negativos, estimado leitor? Você já parou pra pensar na quantidade de sentimentos dolorosos que existem e que podem estar te incomodando nesse momento? Segue abaixo uma lista pra você avaliar. Procure ser bastante honesto consigo mesmo, tentando identificar quais sentimentos você costuma ter com frequência, quais os que você está sentindo agora e quais deles você precisa acolher, aceitar e compreender o que está por trás deles.

Sentimentos, emoções, sentimentos negativos, controlar emoções

Geralmente os sentimentos não vêm isolados. É comum o sentimento que aparece explicitamente não ser o principal. Atrás da raiva e do medo pode existir uma profunda insegurança e desamparo, por trás da tristeza pode ter uma raiva sufocada, por trás dos ciúmes pode ter um medo do abandono; e por aí vai. São múltiplas as associações.
Tentamos, na maior parte da vida, lidar com nossos sentimentos através da fuga e da anestesia. Essas formas são arranjos provisórios que só adiam o enfrentamento da dor. Os sentimentos não são extintos quando os negamos, eles ficam guardados num “quartinho obscuro da psique” e vêm a tona com toda força quando uma nova situação nos desperta emoções iguais ou semelhantes. O não enfrentamento também costuma gerar comportamentos inadequados na vida adulta, perda de controle, e doenças.

Sendo assim, como você escolhe lidar com seus sentimentos querido leitor? Enfrentamento, anestesia, negação, fuga ou adoecimento? Deixe sua colaboração no espaço para comentários abaixo!

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagran: @solteirosecasais


Referência da Figura:
1. foto extraída do site: http://www.morguefile.com/search/morguefile/1/emotion/pop


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10 comentários:

  1. Instigante convite a pensarmos em nós mesmo e em nossos sentimentos... Não é fácil o exercício de autocompreensão, mas é possível!!!

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    1. Isso mesmo Verônica
      Não é fácil mas é possível! Precisamos estar atentos a ter essa consciência no dia a dia.
      Agradeço seu comentário
      Abraço,
      Adriana

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  2. Respostas
    1. Obrigada Cleide!
      Agradeço seu comentário!
      Abraço
      Adriana

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  3. Bom dia, Adriana. Também sou psicóloga é quero te parabenizar pelo texto, muito bom.

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    1. Olá Fabiana
      obrigada! Fico feliz que tenha gostado do texto!
      Um abraço
      Adriana

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  4. Parabéns pelos textos! Excelente trabalho!

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    1. Muito grata Kênia
      Fico feliz que tenha gostado!
      Um abraço
      Adriana

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  5. Olá querida Adriana!
    Adorei o seu post!
    Tomo antidepressivo/ansiolitico porque tive uma ansiedade absurda em fevereiro e sintomas de depressão desde a adolescência. Minha terapeuta pediu que eu fosse a um psiquiatra e eu, na hora, achei um absurdo, pois compartilho da sua opinião sobre a indústria dos psicofarmacos em geral. Mas hoje, algum tempo após o início do tratamento, me sinto muito melhor! Não parei a terapia, pois quero não precisar mais do remédio um dia. Mas o que quero dizer é que no meu caso foi difícil reconhecer e tratar minha depressão, pois ela é sutil, mas em crises me causou estragos. Nesse caso, me surpreendi com o fármaco, que não vejo como uma anestesia, mas sim como uma forma de reorganizar meus neurotransmissores para que eu me sinta viva, reaprendendo a sorrir ou chorar, lidando melhor com as emoções de forma geral, vivendo lutos constantes daquilo tudo que passei em ao longo de minha história, porém, não vivenciando pânico e depressão em função disso.
    Resisti muito aos fármacos, mas hoje, felizmente, me sinto sem aquela angústia que me dominava de tempos em tempos onde eu não via sentido da vida.

    Você não acha que nesses casos os psicofarmacos ajudam?

    Abraço e parabéns pelo blog! Adoro demais!

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    1. Olá Sr(a) Anônimo,
      eu não costumo publicar textos sem nome, mas como seu comentário foi bacana, resolvi publicar.

      Eu não sou contra a medicação, e muitas vezes indico meus clientes para fazer tratamento Homeopático e também Psiquiátrico. Existem casos nos quais as disfunções emocionais têm fundo biológico sim, sendo doenças que precisam de tratamento químico.

      O que questiono no post é o uso indiscriminado das medicações, com a negação dos aspectos psicológicos-emocionais, familiares e sociais do indivíduo, e a incompetência de muitos profissionais da área, para fazer um diagnóstico adequado. Ouço muitos casos de clientes meus que vão ao consultório psiquiátrico apenas para pegar receita. Não há uma escuta e uma avaliação contextual e familiar da maioria deles. Infelizmente muitas pessoas aceitam esses tipos de tratamento pois desconhecem um bom profissional. Temos uma lógica médica-medicamentosa social muito forte.

      Que bom que você está fazendo os dois tratamentos. Assim sua melhora vai ser mais ampla, tanto emocional quanto biológica.

      Agradeço sua contribuição e carinho
      Abraço, Adriana

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