terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

CRENÇAS DISTORCIDAS QUE PREJUDICAM A VIDA E OS RELACIONAMENTOS

CRENÇAS DISTORCIDAS QUE PREJUDICAM OS RELACIONAMENTOS




Desde quando nascemos, somos inseridos em família, sociedade, cultura e religião, que de formas mais ou menos fortes, vão estabelecendo regras conscientes e inconscientes, explícitas e implícitas, o que é certo e errado, permitido e proibido. Estas, portanto, moldam nossas crenças e comportamentos na vida.

As crenças implícitas e inconscientes são as mais difíceis de serem identificadas, pois vamos aprendendo tudo tão naturalmente nas relações familiares, que muitas vezes as temos por certas e não questionamos sua veracidade.

Muitas pessoas passam a vida inteira sem identificar e questionar suas crenças. Se você as vive com convicção, está tudo certo, pois não há angústia. O problema é quando elas são limitantes e empobrecedoras da vida, trazendo mais doença do que saúde, e quando elas bloqueiam a possibilidade de você realizar seus desejos mais profundos.

Se ficamos identificados com essas crenças limitantes mas por outro lado nossos anseios opostos ficam como fantasmas a nos rondar, boicotaremos nossos desejos, pois dentro da nossa história de vida, não temos a permissão de vivê-los.

Vejamos algumas crenças muito comuns que afetam negativamente os relacionamentos:

1.   Conceito de amor – quando o que foi aprendido sobre o amor é negativo, agressivo ou violento, o indivíduo pode passar a vida inteira desejando um relacionamento diferente, mas se envolvendo sempre em relacionamentos conturbados e semelhantes ao que aprendeu. Repetimos na vida o conceito de amor da família de origem, e buscar um novo conceito é um desafio enorme, até conseguirmos nos dar essa permissão de ser desleal as nossas origens e construir uma nova crença dominante.
2.   Relação com dinheiro – a forma como a família de origem vivenciou e lidou com o dinheiro também é fundamental para a nossa construção de crenças a esse respeito. Riquezas, pobrezas, falências, permissão, não permissão de ter, gastar, não gastar ou usufruir do dinheiro, ficam como marcas profundas na nossa forma de lidar com o dinheiro. Tem famílias que têm dinheiro mas vivem numa perspectiva de falta, e outras que não têm mas vivem e disfrutam da vida sem problemas. No casal, quando as crenças são opostas entre os parceiros, elas afetarão outros aspectos do relacionamento como o da vivência de prazer, podendo também gerar disputa de poder e insegurança.
3.   Não permissão para viver prazer – o prazer e a sexualidade na nossa cultura e religião nem sempre são conotados de forma positiva, sendo muitas vezes associado a afirmação sexual da masculinidade (no caso dos homens), a promiscuidade e ao pecado. Muitos mitos foram construídos e reforçados, restringindo uma vivência sexual saudável, livre e feliz.  Para além da sexualidade, viver prazer de uma forma geral também não tem valor numa cultura capitalista que valoriza o sofrimento, o medo e a angústia, como formas de incitar a sociedade a buscar bens de consumo para aplacar suas dores. É necessário ampliar nosso conceito de prazer, que não está restrito ao consumo, mas sim a vivências do cotidiano onde estejamos entregues de coração. Casais com pouca ou pequena permissão de prazer ficarão restritos ou mortos em vida.
4.   Papéis de Homem e Mulher – Os papéis de homem e mulher são complementares e rigidamente definidos no patriarcado, assim como a relação desigual de poder. Vivemos hoje uma inversão de papéis, quando as mulheres alcançam muitas conquistas pós Movimento Feminista, mas aparentemente não conseguiram sair da lógica patriarcal uma vez que buscaram se afirmar na perspectiva do que era valorizado por este sistema. Assim elas passam para o outro polo da mesma moeda mas “não mudam o sistema financeiro”, fazendo uma metáfora. As crenças veladas sobre as relações de gênero afetam muito as expectativas e papéis exercidos pelos parceiros e também a forma como o casal lida com o a distribuição do poder, seja na disputa, seja na complementariedade dominador-dominado.

Agora, escolha um desses temas acima, que tenha mais importância para seu momento presente, e faça uma lista sobre todas as crenças que você recebeu e possui até hoje. Feche os olhos e vá lembrando das vozes familiares sobre aquele assunto, e escreva sem filtrar nem criticar nada.

O primeiro passo é identificarmos essas crenças limitantes. Fazer a lista ajudará a trazer para a consciência de onde elas vieram e qual o poder que possuem sobre você. Quais as “vozes” mais poderosas do seu passado, que ditaram o que era certo e errado.

O segundo passo é decidirmos se queremos ou não manter essas crenças. A nossa escolha é algo fundamental no processo. Falar “eu tenho que” mudar não adianta, é preciso falar eu “quero e decido” mudar.

O terceiro passo é um árduo e longo caminho de luta entre nossos anjos e demônios internos. É o enfrentamento das nossas resistências contra sermos desleais com as nossas famílias de origem para sermos leais aos nossos desejos mais profundos. Associamos a deslealdade com a perda do amor e a punição e isso pode acontecer mesmo. Mas na maioria dos casos, não mudamos porque fantasiamos negativamente sobre esta transformação. Na realidade, após um período de resistência familiar, acabamos conseguindo o respeito de nossos entes queridos, exceto em casos de famílias muito disfuncionais.

O último e eterno passo, é nosso compromisso com a busca de coerência, que significa buscar sempre sincronizar nossos pensamentos, sentimentos e ações, tripé fundamental para melhorarmos nossa autoestima e sentimento de valor próprio.


Gostaria de esclarecer que estes “passos” não são mágicos e nem concretos. São todos abstratos e dependem muito de um esforço consciente do estimado leitor em sua vida cotidiana ao longo de muitos anos – sem querer desanimá-lo. Eu só os sugiro aqui como passos para esquematizá-los de forma didática. A psicoterapia é um processo que pode ajudar e facilitar na construção desse caminho. 

Faça sua lista e compartilhe conosco suas impressões no espaço para comentários abaixo! Se quiser acrescentar mais ideias sobre outras crenças que não citei no texto, serão muito bem vindas para discussão!

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagran: @solteirosecasais

Referência da Figura
 - retirada do google imagens


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2 comentários:

  1. Realmente, Adriana essas crenças limitam o sujeito e acabam se envolvendo em relacionamentos conturbados.Já ouvi comentários tipo: "minha religião não permite que eu tome a decisão que eu gostaria" e mantém uma relação doentia.

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    1. Infelizmente Luzinete! Nossas crenças são definidoras de até onde podemos ir. Elas podem ser limitantes ou nos levar a um crescimento enorme. É muito triste ver o quanto as pessoas estão infelizes por não conseguirem reavaliar sua própria forma de pensar.
      Agradeço por deixar seu comentário!
      Abs
      Adriana

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