segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A CRIANÇA INTERIOR E OS RELACIONAMENTOS

A CRIANÇA INTERIOR E OS RELACIONAMENTOS


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Aproveitando que o tema está fresquinho na minha cabeça, após promover e realizar o workshop “Acolhendo a Criança Interna Ferida” no último sábado, dia 20 de fevereiro de 2016 (abaixo segue um folder da próxima data em março), decidi escrever este post para falar um pouco sobre como a nossa criança interior ferida irá aparecer e atazanar nossa vida adulta e nossos relacionamentos*.

A criança interior é uma ideia abstrata para representar a força que as memórias infantis têm na nossa psique. É como se a criança que fomos um dia, estivesse viva dentro de nós, e tivesse uma personalidade independente do adulto, que dá palpite, piti, requisita coisas possíveis e impossíveis, intrometendo de forma inconsciente na nossa vida.

A ferida da criança acontece por causa de uma frustração amorosa na relação com os pais, que falharam em dar o amor maduro que a criança esperava e idealizava. Há casos muito graves onde além de não oferecer o amor maduro, há violência doméstica e abusos diversos. Não é só nesses casos que a criança fica ferida. As vezes os pais são até bem intencionados, mas por sua condição humana imperfeita, e pelas faltas afetivas em sua própria história de origem, eles acabam não promovendo o amor tão desejado pela criança.

O problema psíquico inconsciente que acontece, é que a criança interior fica ressentida, fica carente daquele amor idealizado, e passa a vida inteira correndo atrás desse amor, tentando consertar o passado, através das relações no presente.
Assim, o adulto pode ficar muito dependente dos seus pais, ainda esperando receber deles o tão sonhado amor; ou pode também projetar essa busca de amor nos amigos, nos filhos, e principalmente nas relações amorosas. Isso faz com que ele passe a esperar e a cobrar do parceiro o mesmo amor idealizado que não recebeu no passado, atuando muitas vezes como aquela criança carente que foi.
Infelizmente ou felizmente, o parceiro, por mais bem intencionado que seja, nunca conseguirá preencher o buraco emocional do outro, porque a dor vivida, só pode ser reelaborada pelo próprio indivíduo, uma vez que não é possível modificar o passado. Somente nós podemos ir até aquela criança e acolhê-la, acariciá-la, perdoá-la e amá-la (foco do aprendizado no workshop).
Mas outro problema que encontramos, é que a maioria de nós foge dessa criança, por sentimentos de medo, dor, vergonha e humilhação, recorrendo a maneiras mais doentes possíveis de fuga, como através das compulsões (drogas, álcool, comida, trabalho, sexo, etc.). Por trás de todo vício, existe uma criança interna abandonada e muito carente, querendo anestesiar a dor do passado. Essa estratégia é extremamente problemática, pois além de a anestesia ser sempre provisória, ela também gera a dependência e outros agravantes.
Só há um caminho para resgatar e acolher nossa criança interna ferida, que é ter a coragem de enfrentar a dor da falta de amor maduro que sofremos na nossa infância, dor esta que está muito inflacionada pelas nossas fantasias infantis. Ou seja, a dor que a criança sentiu, é vista de forma ampliada, uma vez que foi distorcida pela sua limitada forma de enxergar e compreender o mundo naquela época.
Assim, quando o adulto consegue enfrentar o medo, ele verá que a tragédia que ele sentiu, hoje já não terá todo aquele tamanho, se vista de uma posição verdadeiramente adulta.
Se o adulto consegue acolher sua criança, ele se torna mais capaz de cuidar da sua própria vida, de assumir a responsabilidade por providenciar os recursos para atender suas necessidades e desejos. Caso contrário, ele coloca a responsabilidade de ser cuidado no outro, especialmente no relacionamento afetivo, e se torna uma criança mimada e birrenta quando o parceiro não corresponde a suas expectativas amorosas infantis.
A situação se complica, pois a atração ocorre entre pessoas emocionalmente semelhantes. Então imaginem como se relacionam duas crianças internas carentes e exigentes. Com certeza esta se torna uma relação extremamente projetiva e hostil, cheia de cobranças, acusações, afastamentos e perpetua assim a carência infantil de ambos.
Portanto, o acolhimento da criança interior é muito necessário para que os adultos se tornem capazes de amar. Enquanto a criança estiver gritando por amor externo, o adulto não tem amor, ou tem muito pouco, para oferecer numa relação. O amor maduro só é possível quando estamos inteiros e integrados.
Estimado leitor, você já aprendeu a ter uma relação amorosa com a sua criança interior? Se não, fica o convite para participar do workshop! Deixe no espaço para  comentários abaixo as suas impressões, questionamentos e dúvidas sobre o post.

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Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagran: @solteirosecasais

* As ideias contidas nesse texto não são originais minhas, mas são baseadas em estudos que realizei sobre o tema. Veja as referências no link Indicação de Livros.

Referência da Figura
 - retirada do google imagens - é um recorte do quadro "As três idades da Mulher" de Gustav Klimt. Para ver o quadro completo e mais detalhes sobre o artista, conferir site: http://virusdaarte.net/klimt-as-tres-idades-da-mulher/


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7 comentários:

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  2. Mais uma vez Adriana considero que você foi muito feliz na abordagem deste assunto. Elucidou aos seus leitores aspectos que são fundamentais para amadurecimento e crescimento interior do ser humano. Somos maiores de 18 ou 21 anos e somos adultos? Nem sempre. O amadurecer implica em sabermos compreender, lidar com essa criança interna e carente que sempre estará dentro de nós como componente essencial de nossa personalidade. Quando não sabemos compreendê-la, discipliná-la a nosso favor seremos adultos infantis, sem segurança emocional, sem capacidade de conduzir e controlar emoções, sentimentos e tendências. Parabéns pelo conteúdo, gostei muito.

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    1. Oi Robert,
      agradeço seu comentário. Só tenho a acrescentar que não devemos disciplinar a criança interna, mas sim acolhê-la. Ela precisa de carinho e amor mais que tudo, só assim ela perde o seu poder negativo e passa a oferecer seus melhores potenciais e recursos.
      Um abraço
      Adriana

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  3. Muito bom o texto! A forma como você coloca é muito esclarecedora. Eu sinto muito por muitas pessoas não conseguirem de uma forma ou de outra, não irem até essa profundidade, a criança internalizada ferida e carente.

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    1. Olá Clóvis, muito obrigada por deixar seu comentário!
      Infelizmente muitas pessoas nem sabem da existência dessa criança interior, mas quando compreendem têm a chance de ficar mais em paz com sua própria infância e viver de uma forma mais leve.
      Tomara que mais pessoas possam conhecer melhor suas crianças interiores num futuro breve!
      Abraço

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  4. Adoro esse blog, conteúdo sensacional, está me ajudando bastante a mudar concepções e rever atitudes!

    Sobre a ferida do passado na criança interior e a influência nos relacionamentos afetivos atuais, eu acredito que consegui compreender e não pude deixar de correlacionar com o meu relacionamento, acho que identifiquei uma situação um tanto controversa rsrs.. meu parceiro teve uma infância realmente triste, a falta de amor lá no início dos pais e demais familiares fizeram com que ele e os dois irmãos crescessem compartilhando apenas o amor entre eles, eu por minha vez, cresci em uma família aparentemente estruturada meus pais casados, e tentaram me educar da melhor forma possível e doar o amor à sua maneira para mim e meu irmão. Entretanto, hoje no meu relacionamento, eu percebo meu parceiro bem mais forte emocionalmente, mais seguro, e eu, inseguro, ciumento e carente.

    Penso que de alguma forma, a criação dele ajudou a torná-lo mais forte por um lado, e talvez egocêntrico de outro. Enquanto eu, sendo mais suscetível a compartilhar e mais fraco emocionalmente...

    Enfim, gostaria de ter tido acesso a este blog antes me ajuda muito! Começo lendo um texto e quando assusto li mais dois ou três rsrs.

    Parabéns Adriana!
    Abraço.
    Breno.

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    1. Fico muito feliz com seu retorno Breno!
      Uma alegria imensa saber que os posts estão te ajudando a refletir sobre seu relacionamento e sobre suas questões emocionais.
      Cada história é uma história marcante, mas cada indivíduo reage a sua história de uma maneira específica. As vezes ficamos agarrados emocionalmente em vários aspectos, mas precisamos entender quais são nossas carências e aprender a cuidar delas. Como você disse sobre seu namoro, você tem alguns pontos fortes e outros fracos assim como seu namorado. Uns mais bem resolvidos do que outros. Enfim, a vida é uma caminhada em busca de crescimento!
      Um abraço e muita gratidão!
      Adriana Freitas

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