segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

QUEBRA DE CONFIANÇA NOS RELACIONAMENTOS

QUEBRA DE CONFIANÇA NOS RELACIONAMENTOS


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Todo relacionamento começa com uma confiança ou um voto de confiança no outro. O encantamento inicial, de forma mais fantasiosa do que realista, nos faz acreditar na possibilidade de conseguir viver um afeto incondicional e nos entregar ao outro de forma plena.
Existem casos onde sequer o voto de confiança acontecerá; dizem respeito aos indivíduos que foram muito feridos em sua capacidade de confiar. Eles até entram nos relacionamentos, mas com uma capacidade de entrega comprometida, podendo fazer vários testes com o parceiro até serem rejeitados, traídos ou abandonados.
A primeira quebra de confiança*, fundamental na nossa formação, pode acontecer na relação com pai e mãe. Teoricamente, os pais são os responsáveis por promover um ambiente seguro e amoroso, garantindo a sobrevivência básica física e emocional para o desenvolvimento dos filhos. Quando a família possui problemas mais graves diversos (abuso, violência, falta de afeto, não desejo de ser pais consciente ou inconscientemente, etc.), os pais não conseguem realizar suas funções parentais principais, e consequentemente, não constroem ou quebram o sentimento de segurança e confiança básicos dos filhos, deixando na verdade, um sentimento de desconfiança em suas bases emocionais. Assim, esses indivíduos seguem a vida com esse corte, podendo conseguir ou não conseguir confiar e se entregar em suas relações amorosas futuras.
Supondo que o sentimento de confiança básico tenha sido minimamente garantido, e a relação a dois se estabeleça, por mais que ambos os parceiros estejam empenhados, haverá uma primeira quebra de confiança do relacionamento, que ocorre quando acaba a paixão e a realidade fica evidente. O outro não é o príncipe ou princesa encantados, idealizados que sonhamos e projetamos no outro. No entanto, essa quebra é muito necessária, pois é a partir dela que existe a possibilidade da saída da paixão fantasiosa para a construção do amor com bases humanas mais realistas.
Para muitos, a primeira quebra será fatal e o relacionamento terminará ali. Outros ainda, acreditando no amor, investirão mais tempo na relação, tentando administrar e negociar as diferenças e necessidades.
Se o relacionamento segue, pequenas quebras de confiança acabarão acontecendo no processo da convivência, muitas delas mais ligadas a frustrações de expectativas não realizadas. Como diferenciar o que é projeção individual do que seja um problema real de confiança da relação?
1)   Quando há uma repetição de padrão – se o parceiro sempre tem atitudes que te geram sentimento de desconfiança e muitas delas você pode realmente comprovar uma traição. A projeção seria quando um parceiro desconfia, mas não consegue provas de comportamentos inadequados do outro.
2)   A forma como o indivíduo lida com a exposição do problema: culpar o outro. Se o parceiro não tem empatia pela sua desconfiança, e se além de se defender (que geralmente é natural quando alguém se sente atacado) ele te acusa e te culpa o tempo todo, revertendo a situação, ele nunca te ajudará a construir a confiança interna.
3)   Avaliação do próprio sentimento – observar sua própria história, se você teve o sentimento de confiança construído ou não, e se você está atualizando na relação amorosa a desconfiança da sua relação com seus pais.
4)   A busca de coerência interna: o que eu quero, não quero, aceito, não aceito, dou conta, não dou conta. Avaliar se o parceiro real (não idealizado) é capaz de te oferecer o que você precisa ou deseja, e se ele não for capaz, você tem escolha de ficar e aceitá-lo como é ou sair e buscar outra relação.
A quebra de confiança pode acontecer em setores mais complexos do relacionamento, como no caso das traições. Estas podem ser múltiplas e não apenas no âmbito afetivo-sexual. Pode ser uma quebra de lealdade, por exemplo, quando numa relação aberta, o pacto é transar, mas não se envolver afetivamente e um dos parceiros acaba se envolvendo. Ou pode haver uma quebra pela ocultação ou mentira, por exemplo, em relação ao dinheiro ou ao envolvimento financeiro com a família de origem. Há também a traição pela quebra do contrato inconsciente da relação, por exemplo, quando ambos contrataram de ficarem infantis, e um dos parceiros decide crescer.
Uma das mais dolorosas quebras de confiança é a traição afetivo-sexual e quando descoberta gera um transtorno na vida a dois, sendo muito difícil resgatar a confiança novamente. Muitos casais ficam juntos (pelos filhos, pelo dinheiro, pelo status, pela dependência, etc.), mas não mudam o que precisam mudar, não fazem uma revisão nem uma redefinição do relacionamento e acabam engolindo o sapo da desconfiança, sem digeri-lo ou resolvê-lo. Tentativas de controle obsessivas e testes de confiança intermináveis infernizarão a vida a dois, podendo também haver doenças ou a morte emocional de um ou ambos.
Mas tudo precisa ser contextualizado. Algumas ocultações e mentiras têm o propósito de proteção, de controle ou escondem uma dificuldade de enfrentamento de um parceiro aparentemente mais poderoso. Outras traições fazem parte do pacto inconsciente do casal, e outras ainda servem para o rompimento, mudança e crescimento de relações que já estavam mortas.
A escolha de confiar novamente só será possível se o indivíduo o fizer por si mesmo e não pelo outro. Se ele desenvolver a segurança interna, acreditando que fará uma leitura adequada dos próprios sentimentos e da vida, tendo limites consigo mesmo em primeiro lugar e com o outro como consequência, a ponto de ter a certeza que não ficará em relações ou situações que lhe sejam agressivas, prejudiciais ou sem amor. É a confiança que ele pode entrar e sair das relações e que mesmo que seu coração fique partido, ele saberá cuidar de suas feridas sem perder o amor próprio. Saber nosso valor próprio.
O nosso principal desafio é construir nossa Confiança Interna! Você já construiu a sua ou ainda é inseguro, estimado leitor? Compartilhe conosco sua experiência no espaço para comentários abaixo!

* Utilizo informalmente os conceitos de “confiança básica x desconfiança básica” da teoria Psicossocial do Desenvolvimento Humano de Erik Erikson para explicar esta parte.


Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagran: @solteirosecasais

Referência da Figura
1  - retirada do google imagens


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2 comentários:

  1. Olá,
    Eu me fiz essa pergunta final, se tenho confiança interna. Cheguei a seguinte conclusão: não.
    Isso tem atrapalhado mt meu relacionamento. Sou extremamente possessiva e vejo coisas onde não tem. Por querer tanto a atenção dele, quando não tenho, fico procurando respostas, sinais, alguma coisa q possa comprovar o q estou sentindo. Qualquer falha dele são encaradas com grande confusão por mim. Acho q a minha cabeça processa a informação de forma sempre lógica tentando ligar os fatos e achar uma traição. Estou com ele a 6 anos, já deveria ter passado essa fase. Eu não era assim até uma mentira a 3 anos atrás. Essa mentira mais algumas falhas acumularam mt desconfiança da minha parte. As pessoas sempre falam q devo perdoar mas eu simplesmente não consigo! Tento, procuro não lembrar p levar uma vida normal, tento não conversar sobre. Mas a cada nova falha vem a velha mentira me atormentar. Eu queria ter paz, só falta 9 meses para nosso casamento. Mas do jeito qas coisas vão eu não tenho certeza q quero casar. Dizem que as coisas pioram. Já procurei auxílio espiritual, mas parece q as coisas se repetem. O que você acha que acontece comigo? Nunca tive nenhuma decepção com meus pais. Você acha que devo procurar ajuda? E que ajuda?

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    Respostas
    1. Olá. Geralmente eu não publico comentários sem o nome da pessoa que enviou, mas como você tem um questionamento importante, preferi publicar. É preciso buscar ajuda sim! Acho que você precisa de uma psicoterapia pra te ajudar a clarear se a sua insegurança e desconfiança são questões da sua história ou são questões do seu relacionamento atual. Sugiro que busque uma indicação de um bom terapeuta para te ajudar.
      Fica meu abraço e desejos de crescimento.
      Adriana

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