segunda-feira, 27 de julho de 2015

MATANDO O PARCEIRO NOS RELACIONAMENTOS

MATANDO O PARCEIRO NOS RELACIONAMENTOS



Uma das coisas mais difíceis de aprender na vida é lidar com as diferenças humanas. Geralmente aceitamos melhor as pessoas semelhantes e rejeitamos as diferentes. A atração se dá pela semelhança, mesmo quando esta aconteça pelos padrões doentios.
No entanto não quero abordar neste post essas diferenças que impossibilitam uma relação, mas sim aquelas pequenas características da personalidade, as quais geram brigas e picuinhas entre os parceiros, e uma consequente  hostilidade massacrante.
Nossas famílias são nossas maiores escolas no aprendizado de não aceitar as diferenças. É muito comum sermos rejeitados, ameaçados de perder o amor, e até severamente punidos quando somos diferentes, ou quando tomamos caminhos fora do padrão, ou quando agimos contrariamente a expectativa de nossos familiares. Assim, o que aprendemos é que para sermos aceitos precisamos ser iguais, funcionando nos mesmos padrões definidos pela família e pela sociedade como normais.
Sendo educados assim, desde crianças já vamos sendo severos com os coleguinhas diferentes, na adolescência nos agrupamos com as “tribos” de iguais e rejeitamos as outras, e na idade adulta nos relacionamos com parceiros diferentes tentando mudá-los, “matando-os” no sentido metafórico da questão.
Por que utilizo o termo matar? Porque passamos grande parte das relações tentando exterminar as diferenças do parceiro, que o caracterizam como indivíduo. Nos impomos sempre achando que nossos padrões são os melhores e mais corretos, e não temos a flexibilidade necessária para aprender a negociar sem ferir a individualidade do outro.
Sim, o tempo todo ferimos a individualidade dos parceiros. E também somos feridos na nossa.
A situação é agravada quando a pessoa é dependente e entra em relações de dependência, pois não consegue ficar sozinha e por consequência arranja qualquer relacionamento, mesmo aqueles que não são dignos para ela.
Saber ser sozinho e lidar com a própria solidão é fundamental para que possamos escolher um parceiro amoroso que combine com nossos desejos e buscas.
Desde adolescente eu me lembro de ter essa noção de aceitação da diferença em um relacionamento. Eu tinha um amigo de quem eu gostava muito e tivemos um flerte, mas quando ele de fato tentou se aproximar para um relacionamento, eu acabei negando, pois tinham valores religiosos que eu estava começando a mudar, e que eram muito importantes pra ele. Se eu decidisse ficar com ele, eu estaria colocando um entrave nas minhas mudanças ou começaria uma luta para tentar mudá-lo. Na época eu pensei que não era justo com ele entrar numa relação já querendo que ele mudasse. E não era justo comigo também voltar atrás em algo que eu acabara de conquistar.
O problema é que as pessoas, seja por carência, por um baixo nível de consciência ou por problemas de caráter, entram em relações que já sabem de antemão que não são o que desejam, mas com a ilusão de que vão conseguir fazer o outro mudar. Isso não vai acontecer. O outro só muda se ele quiser muito. Mudanças requerem muito esforço, mais fácil é ficar na zona de conforto dos nossos aprendizados originais.
Precisamos escolher relações que estejam baseadas em valores semelhantes aos nossos, onde haja afinidades em alguns aspectos, com pessoas que consigamos aceitar as qualidades e defeitos. Tolerar apenas, é insuficiente, precisamos aceitar. E isto não significa que tenhamos que permitir ser agredidos e mal tratados, mas exige que saibamos lidar com as diferenças sem fazer delas uma ameaça ou um campo de batalhas.

Especialmente, precisamos aprender a negociar com nossos parceiros o que desejamos, o que não desejamos, o que aceitamos, o que não aceitamos, fazendo isso de forma amorosa, sem matar a individualidade do outro.
E se a pessoa é muito diferente de nós, se nossos valores e crenças são contraditórios e não toleramos vários aspectos do outro, o melhor caminho é sair pela porta onde entramos, a “arte de saber se retirar”. Há relacionamentos que simplesmente não são possíveis, ou não valem a pena.
Pense nisso leitor e deixe seus comentários no espaço abaixo!


 Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

Referência da Figura
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6 comentários:

  1. Oi, Adriana, boa tarde!
    Nossa, parabéns, encontrei você hoje aqui na internet buscando algo para ler acerca da relação de poder, comunicação, essas questões relacionadas ao casal, ao gênero masculino e feminino. Também sou psicólogo e especializando em Terapia de Família e Casal - Sistêmica. Estes são os assuntos que desejo abordar em meu trabalho de conclusão de curso. Estou a mais de 3 horas lendo suas postagens e me encanto cada vez mais com cada uma delas. Parabéns. Vou continuar aqui lendo, pois acredito que elas me ajudarão em minha pesquisa. Obrigado. Grande abraço.

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    1. Olá Aenes
      que alegria receber a sua mensagem! Fico feliz se os textos puderem contribuir de alguma forma para sua vida profissional.
      Uauuu, mais de 3 horas lendo o blog! Eu nem me dei conta que tenho textos para tantas horas assim!
      Fico muito grata pelos parabéns e desejo boa sorte no seu TCC. Se precisar de alguma indicação de livros é só me enviar uma mensagem no "Converse Conosco" ao lado.
      Abraços, Adriana Freitas

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  2. Oi Adriana, parabéns, mais um texto excelente, sua forma de escrever ė de uma clareza indiscutível. Abraços Luzinete Vasconcelos.

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    1. Obrigada Luzinete, fico muito feliz que vc goste da forma como escrevo e que esteja gostando do blog! Um abraço
      Adriana

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  3. Oi amiga!!!! Muito bom o texto, no mundo de hoje esta difícil os relacionamentos estamos vivendo em relacionamentos muito intenso muito liquido tudo esta sendo passageiros nas vidas das pessoas.

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    1. Que bom que vc gostou do texto Salete! Realmente estamos numa época de redefinição dos valores relacionais e precisamos achar o que verdadeiramente nos alimenta e nos faz felizes.
      Um abraço, Adriana

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