sábado, 18 de julho de 2015

DITADURAS CULTURAIS PARA HOMENS E MULHERES

DITADURAS CULTURAIS PARA HOMENS E MULHERES


Vivemos imersos numa família, que por sua vez está inserida numa sociedade que possui padrões culturais normativos. Tais padrões, ao mesmo tempo em que organizam a vida em conjunto, são profundamente limitadores das experiências humanas. E acontecem de forma subliminar, fazendo com que tenhamos (ou não tenhamos) certas necessidades e comportamentos de maneira inconsciente, ditados pela cultura, sem passar por um filtro de crítica e avaliação da nossa parte.
Ou seja, vamos vivendo as expectativas do contexto onde vivemos e nem sempre paramos para pensar o que realmente faz parte dos nossos desejos e das nossas necessidades mais profundos e verdadeiros.
Na maioria das vezes, seguir inconscientemente os ditames culturais nos faz pessoas infelizes e com um profundo sentimento de vazio existencial. Precisamos aprender a questionar os conceitos que fomos registrando desde a infância e buscar encontrar o que realmente nos alimenta o coração.
A cultura define papéis muito específicos para homens e mulheres. Apesar de estarmos numa era de transição nas relações de gênero, favorecidas pelas lutas feministas e LGBT, muito ainda somos influenciados pelo patriarcado e seus conceitos arbitrários.
A seguir, destaco alguns pontos das ditaduras específicas em cada referencial, masculino e feminino, baseados na minha observação e experiência clínica, sem me propor a esgotar o tema:

Ditadura para os Homens

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A cultura tem sido extremamente severa para os homens no que se refere a afirmação da masculinidade. O homem precisa provar o tempo todo que é homem, e as principais vias de se fazer isso são através do poder (que pode ser estabelecido com o dinheiro, o trabalho e a violência) e do sexo.
O que por um lado confere ao homem uma maior permissividade de viver e uma maior liberdade para experimentar os prazeres, por outro lado se torna uma grande prisão, pois nessa busca de afirmação lhe é negado o direito de sentir e de ser frágil.
No que concerne a sexualidade, o homem precisa transar a qualquer custo, mesmo que não sinta desejo pelo “objeto” (seja homem ou mulher). E caso negue por não haver desejo, sua masculinidade costuma ser questionada. Já ouvi muitas histórias de mulheres que acharam que os homens eram gays por não querer transar com elas, além de histórias onde os próprios amigos questionam e criticam uns aos outros quando isso acontece.
Já em relação ao poder, vemos uma busca compulsiva pelo dinheiro, muitas vezes através do trabalho, fazendo com que os homens fiquem bitolados nesse único contexto de vida. A exigência de ganhar dinheiro faz com que os homens busquem e se estabeleçam em trabalhos que não amam, com a desculpa de serem o melhor do mercado, e pelo contrário, acabam adoecendo.
E quando o poder lhes é questionado ou retirado, a violência pode ser a forma mais significativa de diminuir o outro para se impor como o mais forte. A violência doméstica de homens contra as mulheres é um clássico exemplo dessa imposição, assim como a violência das gangues de rua.
Dessa forma, apesar de conseguir uma precária afirmação da masculinidade por essas vias, a subjetividade do homem segue frágil e despedaçada, pois essa tentativa é superficial e não alimenta nem fortalece internamente o homem de recursos psíquicos e emocionais saudáveis. E assim o seu vazio existencial não diminui.
Ditadura para as Mulheres

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Já as mulheres são prisioneiras da cultura que nos preconiza o papel materno, o casamento e a beleza/eterna juventude.
É muito comum ouvir das mulheres que passaram dos 30 anos, falas de desespero existencial quando não são casadas e nem tem filhos. Desde cedo os valores do casamento e da maternidade são incutidos na cabeça das mulheres desde a perspectiva do patriarcado, como seu papel social por excelência. Não cumprir esse papel é como se fosse um desastre e desqualificasse seu sentido de vida.
Outro aprisionamento se dá pela via da beleza e eterna juventude. Nós mulheres somos o público (alvo) mais voraz dos cirurgiões plásticos. Fazemos cirurgia em tudo enquanto é parte do corpo, buscando nos adequar ao padrão de beleza vigente.
Além disso, somos nós as maiores clientes de dermatologistas (e todas as outras profissões) esteticistas, utilizando de suas mais diversas técnicas para retardar os sinais do envelhecimento, sim, os sinais, porque o envelhecimento acontece todos os dias, queiramos ou não.
Há ainda a ditadura das dietas. Com certeza você já deve ter ouvido falar de alguma dieta maluca e se não a fez, deve ter feito alguma outra. Estas criam uma alimentação inadequada, restrita e com perda do prazer de comer. 
E se a moda é fitness, a mulher se sacrifica em nome de ter um corpo escultural, produzido nas academias e clínicas estéticas de toda sorte.
Os padrões de beleza fazem de nós mulheres escravas bem obedientes e inconscientes. Eu não falo da busca de exercícios e alimentação saudáveis. Eu falo de mulheres que ficam bitoladas na busca de um corpo padronizado, ditado pela sociedade em que vive, acreditando que não será feliz se não conseguir essa façanha.
Tudo isso engana parcamente sua autoestima, pois seu vazio existencial não irá se alimentar apenas dessas estratégias de correção corporal externas.


Refletindo sobre essas ditaduras culturais, podemos perceber que nossas buscas de adequação ao contexto externo não nos traz alegria, bem estar nem tampouco a felicidade prometida. Precisamos ter um filtro mental para avaliar se essas exigências padronizadas se conectam ou não com as necessidades e desejos mais profundos do nosso SER. Se não conectarem, estaremos perdendo nosso tempo e energia investindo em tais padrões e precisamos urgentemente encontrar um novo caminho!

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

Referência das Figuras
1 e 2 –imagens retiradas do google imagens

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