quinta-feira, 2 de julho de 2015

DESAPEGO

DESAPEGO

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Chegam momentos na vida quando é preciso desapegar. Desapegar das malas velhas, dos sapatos estragados apesar de adorados, das roupas que não servem mais, dos amores findos e dos desejos não realizados.

Desapego é uma palavra que mais dia menos dia irá nos enfrentar cara a cara, sem termos de negociação, mesmo que doa ao coração. 

Tem relacionamentos que são assim, nos apegamos tanto que não sabemos sobre-viver sem eles. Eles podem envelhecer, estragar, machucar, martirizar, adoecer, desencantar, até apodrecer, mas continuamos lá, apegadíssimos aos restos mortais.

Por que é tão difícil desapegar mesmo do que está ruim ou no fim? Porque na verdade, quando o relacionamento já morreu, continuamos apegados a fantasia do que ele foi um dia, suas delícias que ficaram registradas na memória, ou a própria fantasia de onipotência, de nos acharmos deuses poderosos capazes de ressuscitar o morto.

Outra possibilidade é ficarmos viciados em um modus operandi negativo, desprazeroso, que é bastante conhecido nas nossas histórias de origem, individual e familiar, onde aprendemos que os padrões de relacionamentos funcionam sempre no tanque vazio. Assim, tendemos a aceitar e nos apegar em relacionamentos ruins, repetindo nossas histórias de apego.

Nos apegamos também as nossas próprias crenças do que devia ser (mas não é): “casamento é para sempre, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza”. Nos apegamos a nossa teimosia de tentar sempre, mesmo quebrando a cabeça todas as vezes. 

Também ficamos apegados a uma ideia de não podermos ser derrotados, como se admitir o fim do relacionamento fosse perder o jogo, se sentir fracassado, e assim nos apegamos a uma disputa de poder com o outro e com a vida, continuando a lutar uma guerra mesmo quando a batalha já se acabou.

E quando não há um relacionamento, nos apegamos ao desejo de ter um, e fazemos da vida um inferno por não possuí-lo. Tudo gira em torno da busca relacional. Ficamos apavorados com o tempo que está passando e o relógio biológico que está correndo a galopes de um cavalo selvagem. Enlouquecemos atrás de cartomantes, astrólogos, videntes, tudo para ter a tão sonhada previsão positiva do futuro e desesperamos se a desejada notícia não está escrita em nenhuma carta, atro ou visão. 

É preciso desapegar! Quanto mais ansiedade temos em relação ao objeto do nosso apego, menos chance ele tem de dar certo, de funcionar, ou de acontecer em nossas vidas.

Desapegar é preciso, pois enquanto estamos fixados numa ideia específica, a vida nos está oferecendo inúmeras outras possibilidades, as quais estamos deixando passar todas, devido ao nosso aprisionamento em nossas viseiras conceituais.

Reveja seus conceitos! Não seriam eles moldados por uma ditatura subliminar da família, da sociedade, da religião ou da cultura sobre como a vida deve ser? Não estariam eles desgastados e retrógrados para seu momento atual? Eles não estariam limitando sua alegria, felicidade e liberdade potenciais? Desapegue dos seus próprios conceitos! Crie outros novos!

Por mais que doa, jogar as malas velhas fora é libertador! Vida nova pela frente. Mas é preciso coragem pra enfrentar a dor do luto. Desapegue também da dor ou melhor, do sofrimento, como diria nosso querido Carlos Drummond de Andrade, “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”.



Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

Referência da Figura
1 –imagem retirada do google imagens

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