terça-feira, 17 de março de 2015

O AMOR NÃO É COISA PARA PREGUIÇOSOS

O AMOR NÃO É COISA PARA PREGUIÇOSOS


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Esta semana, lendo o livro “Viver não dói” da Leila Ferreira, me deparei com a frase da terapeuta de casais Lidia Aratangy: “casamento não é coisa para preguiçosos” (p.47). Eu já vinha pensando sobre o assunto e só ampliei a frase para incluir o amor no geral e não apenas o casamento, título deste post.

O que tenho observado é que as pessoas desejam ter relacionamentos, mas não estão muito dispostas a investir nos mesmos. Considero este investimento como englobando dedicação de tempo, diálogo, negociações, concessões e um verdadeiro desejo de ajudar o outro em seu processo de crescimento.

De fato somos preguiçosos. Gostaríamos que o relacionamento desse certo sem termos que fazer muito esforço, que naturalmente as coisas fluíssem. Enquanto o parceiro atende nossas necessidades, não contrariando nossas expectativas, o relacionamento flui “naturalmente”. Os problemas começam quando o outro nos frustra consciente ou inconscientemente, comprometendo essa fluidez.

O momento inicial da paixão é esse período “mágico” e fluido da vida a dois, onde parece que tudo se encaixa perfeitamente. Como os parceiros estão no período da conquista, eles acabam dando o melhor de si, sem fazer muito esforço e por isso temos a ilusão de que o amor desenvolve naturalmente.

Mas após a passagem da paixão, começam a aparecer as diferenças de cada indivíduo, suas características positivas e negativas, suas qualidades e seus defeitos. Os indivíduos mostram seu lado mais mesquinho, egoísta, exigente, cobrador e ao invés de doar amor, passam a querer recebê-lo a qualquer custo, de forma infantil.

É um período onde a criança carente habitante dentro de nós sai para fora com toda força reprimida, disposta a cobrar todo amor que lhe foi negado, negligenciado, não correspondido ou traumaticamente quebrado. (veja abaixo o workshop que estou realizando sobre o Acolhimento da Criança Interna Ferida).



Essa fase dos relacionamentos é uma das mais difíceis. Geralmente os casais que chegam na minha clínica estão nesse período e possuem pouca esperança e ainda muitas expectativas. Disposição para mudanças individuais e relacionais é uma qualidade a ser estimulada e conquistada na terapia de casal.

Para se construir um amor maduro e bem disposto – ao contrário de preguiçoso – cada indivíduo precisa lidar com os próprios demônios de sua criança interna ferida e não nutrida, aprendendo a cuidar dessa criança assim como das necessidades do eu adulto. Do contrário, irá projetar no parceiro amoroso essa demanda de cuidado.

Essa economia amorosa, doar pouco e esperar receber muito, ou doar muito e não receber nada, está fadada ao fracasso, mesmo quando os parceiros não se separam. Uma economia amorosa saudável sai da lógica capitalista de obtenção de lucro e vai para uma lógica de vida sustentável.

Na perspectiva sustentável do amor, há um pensamento ecossistêmico: respeito a si mesmo, ao outro, ao ambiente, ao coletivo e também a diversidade e as diferenças; interesse em preservação – e não em destruição egoísta - dos recursos naturais, individuais e coletivos; cada um se torna responsável por fazer sua parte na preservação do relacionamento e atua de forma cooperativa, estabelecendo parcerias ao invés de competições ou exigências infantis; flexibilidade para lidar com conflitos e crises promovendo mudanças e construindo um novo equilíbrio; e valorização dos papéis desempenhados por cada um. (conferir aqui um texto de Fritjof Capra sobre sustentabilidade).

No livro da Leila Pinheiro, ela escreve algo sobre o relacionamento da escritora Isabel Allende e seu marido Willian Gordon, nomeando um dos capítulos como “o amor elegante de Isabel Allende”. Ela relata como a Isabel se arruma todos os dias, passando maquiagem e colocando sapato de salto, para ir trabalhar - sendo que seu escritório é nos fundos de sua casa - com a intenção de ficar bonita para o marido. Ela se arruma para ele, mesmo podendo trabalhar de pijama o dia inteiro.

Esse gesto é apenas um dos milhares possíveis quando você está engajado e cuidadoso com o relacionamento e se recusa a deixar que a preguiça e a acomodação tomem conta e destruam a “elegância” no seu relacionamento.

Então, o convite está feito: construir um amor bem disposto! Você topa o desafio, querido(a) leitor(a)? Compartilhe conosco, no espaço para comentários abaixo, o que já fez para superar a preguiça no seu relacionamento.

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Referência das Figuras
 imagem retirada do google imagens.
2 - montagem feita por mim.
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2 comentários:

  1. Você disse tudo Adriana. Muito boa a sua colocação.
    Eu já dizia a anos...
    Até para "amar" é preciso trabalhar.

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    1. Pois é Clóvis! rsrs
      O amor exige dedicação, investimento e nesse sentido dá trabalho mesmo!
      Agradeço seu comentário
      Abraço

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