segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

PERDA DO CONTROLE versus O CONTROLE DA VIDA

PERDA DO CONTROLE versus

 O CONTROLE DA VIDA

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Sempre fui uma pessoa com tendência a rigidez. Minhas defesas me acompanharam em minha jornada, mesmo não se encaixando direito no meu corpo crescido, na minha mente e na minha alma. Elas são minhas velhas amigas-inimigas que me dão a falsa ilusão de segurança na vida e me fizeram acreditar que se eu fizesse todas as coisas certas, no final, tudo sairia bem.

Mas nem tudo saiu conforme eu planejei, aliás, muitas coisas não saíram. Meu sonho dourado de adolescente era casar e ter filhos e até hoje isso não aconteceu. Teve um momento próximo dos meus 31 anos (idade quando as mulheres começam a desesperar por causa da reta final do período fértil) após uma paixão não correspondida, que eu tive uma crise existencial: e se eu nunca casasse e tivesse filhos? Como viver sabendo que meu principal sentido de existir podia não acontecer?

Dor, luto e redefinição de sentido de vida foram as misérias e delícias desse período. O novo sentido de vida passou a ser interno e não mais externo. Saí fortalecida, novo foco, novos investimentos. O sonho dourado continuou me visitando com frequência, ora revoltado querendo ocupar todo o espaço da minha casa, ora aceitando o quartinho dos fundos como sua moradia por direito restrito.

O fato foi que essa perda de controle quebrou uma boa parte da rigidez e da fantasia de ter algum poder sobre a vida. Fantasia esta que ainda vive rondando a minha mente, como um animal selvagem a espreita de sua presa. Se eu não fico “de olho” nela, sou abocanhada, morta e engolida, animal frágil, abaixo da cadeia alimentar que sou.

A ideia do controle, não me lembro bem onde devo ter lido isso, pode ser ilustrada pela metáfora do indivíduo dentro de um barquinho, com apenas um remo, em um rio caudaloso. Aquele que tenta ter o controle pode passar a vida inteira nadando contra a corrente com seu humilde remo, se desgastar, fazer força o tempo todo e não conseguir ir muito longe. Há também aquele que simplesmente guarda o remo dentro do barco e deixa o rio levar o barquinho aonde ele queira. E numa terceira atitude, há aquele que aproveita o fluxo rio, utilizando do remo para transitar de uma margem a outra e parar nelas caso queira experimentar seus frutos.

Eu era daqueles que nadava contra corrente. Ainda tenho o péssimo hábito de fazer isso de vez em quando. Estou tentando encontrar um equilíbrio entre o soltar-me na correnteza e o visitar as margens que desejar.

A grande ironia de tudo isso é que, a despeito das minhas tentativas de controle, a vida foi muito mais generosa comigo do que eu poderia imaginar. Na verdade eu não planejei estar onde estou hoje, da forma como estou, fazendo o que faço. Eu não tive o que quis mas tive oportunidades fantásticas no caminho que a vida escolheu pra mim! Tenho uma vida digna, honesta, em evolução e fico imaginando em quais outros fabulosos destinos o barquinho e o rio da vida podem me levar se eu me entregar de coração.

A minha “entrega” ainda é racional, entrou pelo topo da cabeça e fez ali morada. Preciso descobrir como desobstruir sua decida até o coração pois é lá onde seu amado se encontra e está de braços abertos para recebê-la.

Quando se juntarem, os amantes  encontrarão a paz e a alegria, e finalmente regozijarão no barquinho e no rio da vida.

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

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Referência da Figura
 a imagem foi retirada do google imagens.
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2 comentários:

  1. Por um momento pensei que esse texto tivesse sido escrito por mim, pois remete minha vivencia.
    Muito bom1

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    Respostas
    1. Que bacana Sandra,
      eu acho que esse texto tem um pouco de cada um de nós! Nossas tentativas de controlar a vida e deixar ser controlados por ela. Obrigada por deixar seu comentário!
      Um abraço
      Adriana Freitas

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