segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O DINHEIRO E OS CASAIS – CRENÇAS E DINÂMICAS #1



O DINHEIRO E OS CASAIS

CRENÇAS E DINÂMICAS #1

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No post de hoje quero iniciar uma reflexão sobre o dinheiro na vida e nas relações. Comecemos buscando nos lembrar das nossas primeiras experiências familiares com o dinheiro. E como sua família tratava a questão financeira? Como lidavam com o dinheiro ou a falta dele? Como você percebeu o valor do dinheiro? Reflita então, como você foi afetado pela sua vivência de origem e como aprendeu a lidar com dinheiro e como lida hoje com ele ou sua falta.

Eu me lembro que na época da minha infância o Brasil passava por aquela crise inflacionária e de como minha família foi afetada. Minha mãe vivia com medo da falta e assim que recebia seu salário, comprava estoques de comida para armazenar e não passar falta. Lembro-me também que ela me deixava contar seu dinheiro quando o retirava do banco e na minha inocência, eu achava que quanto mais notas ela tinha, mais dinheiro tinha, pois eu não sabia o valor das notas ainda. 

Foi uma época de uma ansiedade coletiva e familiar que ficou registrada em minha vida e na forma como eu lido com o dinheiro ou sua falta. Até bem pouco tempo, como eu só trabalho como autônoma, eu sofria muito, ficava extremamente ansiosa, quase desesperada, com a possibilidade de esgotar minha poupança e passar falta, não conseguir pagar as contas e me endividar. Posso dizer que hoje, por ter vivido num contexto de falta e não abundância, e por ter internalizado essa vivência como uma crença, ainda estou aprendendo a manter a paz interior em períodos de escassez financeira.

Temos a tendência de repetir os padrões familiares na forma de lidar com o dinheiro, pois vamos internalizando inconscientemente essas crenças aprendidas como se fossem a única verdade. Vejamos alguns padrões comuns:

1.   Ansiedade com o medo da falta – meu padrão descrito acima
2.   Gastar desmedidamente para cuidar do outro e não de si - codependência
3.   Viver endividado – vive o momento presente e não sabe economizar
4.   Ladrão – vive as custas de outras pessoas
5.   “Pão duro” – ansiedade mesmo quando não tem falta
6.   Econômico – sabe guardar e gastar numa medida equilibrada

A partir desta lista, podemos identificar algumas dinâmicas que vão se desenvolver nas relações de casal e em suas formas de lidar com o dinheiro.

Padrão Ansioso-Ansioso: ambos os parceiros têm medo da falta, trabalham muito e guardam muito dinheiro, desfrutando pouco da vida, mas ainda tem alguma permissão de prazer. Costumam construir patrimônio, ter dinheiro na poupança, no entanto, se sentem inseguros e têm um pensamento constante de falta.

Padrão Ladrão-Codependente: um parceiro desfruta da vida enquanto o outro se sacrifica para manter a casa os filhos e construir algum patrimônio. É uma dinâmica onde um lado é muito infantil e o outro o adulto/velho da relação.

Padrão Ladrão-Ladrão: ambos parceiros aproveitam da vida, mas acabam dependendo de uma terceira pessoa, codependente, que sempre aparece para salvar financeiramente. É um padrão onde o casal é infantil.

Padrão Endividado-Endividado: ambos parceiros não sabem controlar sua vida financeira e acabam se endividando sempre, vivendo de cheque especial e empréstimos. Não são grandes curtidores da vida, mas vivem dos pequenos prazeres e o dinheiro se esvai sem saber por onde.

Padrão Pão-Duro - Endividado: É um padrão que pode gerar uma dinâmica de controle pai-filha mãe-filho na relação. Mas por outro lado, as vezes o endividado precisa fazer dívidas porque não tem a ajuda do pão-duro para a realização das necessidades da vida a dois.

Padrão Pão-duro – Pão-duro: ambos parceiros não vivem, mas acumulam dinheiro e outros tipos de bens que vão adquirindo. Também são muito ansiosos e medrosos da falta e não têm praticamente nenhuma permissão de viver prazer.

Padrão Econômico-Econômico: digamos que essa seja a evolução da nossa espécie! É quando o casal consegue equilibrar os gastos com o guardar, e também consegue viver prazer e construir patrimônio.

Bem estes são apenas alguns padrões que fui mapeando a partir da minha vivência e da minha prática clínica. Você identificou seu padrão em algum desses descritos? Se não, sugira outros nos comentários abaixo!

Mudar a nossa forma de lidar com o dinheiro é um trabalho a longo prazo, que começa com o conhecimento de nossos padrões financeiros familiares e com o desejo de mudança individual. Não é possível um casal mudar sua dinâmica se pelo menos um dos indivíduos não mudar suas crenças sobre o dinheiro e sua forma de lidar com ele.

Grande parte desse trabalho se desenvolve no aprendizado do ter e colocar limites em si mesmo e no outro. Outra parte se desenvolve na medida em que aprendemos a acreditar no nosso potencial de crescimento para o trabalho e a vida e na segurança decorrente dessa nova crença em si mesmo. Trabalhos esses que podem precisar da ajuda de uma psicoterapia.


Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

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Referência da Figura
a imagem foi retirada do google imagens.
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