segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

VOCÊ É EGOÍSTA OU GENEROSO?

VOCÊ É EGOÍSTA OU GENEROSO?

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A palavra generosidade (conferir referências abaixo*) se origina do latim generosĭtas e diz respeito a tendência que as pessoas têm de dar e partilhar, bens materiais ou abstratos, acima de qualquer interesse em particular. Assim, o generoso tem a qualidade de altruísta, pois reconhece a necessidade do outro e doa algo de si sem esperar um retorno específico em troca. Pode até realizar sacrifícios em função do outro.
Por outro lado, o conceito de egoísmo aponta um amor excessivo por si mesmo, sendo questionável essa ideia de amor. Inclui hábitos e comportamentos de indivíduos que colocam seus próprios interesses, opiniões, desejos e necessidades em primeiro lugar, desconsiderando as necessidades das demais pessoas com as quais se relaciona.
Flávio Gikovate, em entrevista para a revista Isto É, e fazendo referência ao seu livro “O mal, o bem, e mais além”, aponta que a grande maioria dos casais se forma entre pessoas antagônicas, em outras palavras, entre egoístas e generosos. Na visão do autor, ambos opostos são formas emocionais imaturas de se posicionar na vida e nos relacionamentos.
Para o autor, os egoístas são pessoas que perpetuam o padrão egocêntrico infantil, devido a uma dificuldade de lidar com o sofrimento gerado pela empatia com o outro. São mais intolerantes a frustração, focam a si mesmos e as próprias necessidades. Apesar de estourados e ciumentos, não conseguem ficar sozinhos e por isso desenvolveram-se de forma extrovertida. Falam “não” com facilidade, não se importando com as necessidades do parceiro. São pessoas invejosas apesar de mostrarem uma imagem muito boa.
Já os generosos, ainda segundo Gikovate, são o inverso dos egoístas. São extremamente empáticos com o sofrimento do outro, e evitam a qualquer custo provocar dor no parceiro. Têm dificuldade para falar “não”, aceitando muitas contrariedades sem contestar. O generoso também inveja o egoísta por sua facilidade de falar não e por gozar dos prazeres da vida.

Vejam o vídeo do autor que acrescenta mais um pouco essas definições:



Os opostos, egoístas e generosos, se atraem e formam um casal complementar, que possui um certo equilíbrio – diferente das relações simétricas que têm muita disputa de poder. Mas este equilíbrio não significa ser saudável, especialmente se não há flexibilidade nos papéis, por exemplo quando só o generoso cede as vontades do egoísta, ou quando o generoso não consegue impor suas vontades, ou o egoísta não enxerga nem atende a necessidade do parceiro, nem o generoso sabe receber.
Diante dessas definições, você se considera egoísta ou generoso?
Não se engane! Especialmente no caso de ter se considerado generoso. A qualidade da generosidade saudável é extremamente difícil de exercer. Encontramos no geral, pessoas que até se doam para os outros, mas a grande maioria de nós doa esperando alguma coisa em troca, principalmente nas relações amorosas.
O contrato inconsciente das relações já começa com a projeção de que o outro, metade faltosa da nossa laranja, tem a responsabilidade de nos fazer feliz. Ou seja, entramos nos relacionamos esperando que o parceiro atenda nossas necessidades egocêntricas infantis mais básicas. Não nos relacionamos com bases adultas, onde cada pessoa é responsável pela sua felicidade e pela contribuição generosa para com a felicidade do parceiro.
Quando doamos, criamos um livro de contabilidade invisível (conferir a resenha de Solange Rosset sobre o assunto), e vamos contabilizando nossos créditos e os débitos do parceiro. Se abrimos mão de algo em prol do outro, em outro momento esse débito registrado será resgatado para a realização de um acerto de contas, ou seja, a cobrança será inevitável.
Superar o egoísmo e a generosidade imaturos é um trabalho para todos os casais que estão envolvidos na construção de uma relação saudável. Voltando ao Flávio Gikovate, uma relação que cresceu e evoluiu, sairá da dualidade egoísta-generoso em direção a categoria dos “justos”. Nesta categoria, o casal funciona em um equilíbrio entre o dar e o receber. Numa flexibilidade dinâmica, cada parceiro é capaz exercer diversos papéis, tolerar frustrações, respeitar as diferenças e direitos do outro, falar sim e não sem ter que fazer sacrifícios heroicos um pelo outro.

Algum leitor já chegou a categoria dos justos em seu relacionamento? Se sim ou se não, compartilhe conosco sua experiência em qualquer dessas categorias, no espaço para comentários abaixo.

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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Referência da Figura:
*Referências dos Conceitos:

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