segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

AMOR PLATÔNICO

AMOR PLATÔNICO

Recentemente fui ao lançamento do livro “Palavras de Poder – volume 3”, do autor Lauro Henriques Jr., que aconteceu na livraria Saraiva do Diamond Mall em Belo Horizonte. Já havia lido os dois primeiros volumes, “Palavras de Poder – volume mundo” e “Palavras de Poder – volume Brasil”, que tratam de entrevistas que o autor fez com vários mestres da espiritualidade e do autoconhecimento do Brasil e do Mundo. São livros que contêm a essência do ensinamento de cada pensador e nos servem de aprendizados valiosos.

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Soube do lançamento pelo facebook, pois sigo o autor na rede social, e logo decidi que iria, pois não poderia perder essa oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. E de fato foi uma experiência energizante poder conversar com ele um pouquinho durante o autógrafo do livro.
Achei o Lauro uma pessoa com uma energia maravilhosa, uma alegria e uma paz contagiantes, além de uma doçura no olhar e no tratamento das pessoas que ali estavam e comigo. Veja a recente entrevista de Conceição Trucom - uma das entrevistadas do terceiro volume - com o autor para ter uma noção sobre o que falo e conhecer um pouco do trabalho dele:


Seja por admiração ou por carência, fui acometida por um “leve acesso” de encantamento por ele, e em seguida pensei que seria um amor platônico.
“Que tolice a sua, Adriana” – foi o melhor pensamento que tive a respeito dessa situação. Os piores eu nem vou contar! Lembrei-me de quantos “amores platônicos” eu tive na adolescência – praticamente a adolescência toda – e logo concluí que a minha adolescente interna resolveu dar as caras escolhendo o “distinto” autor como alvo. Pensando em acolher minha querida adolescente, eu comecei a pensar sobre o tema para escrever aqui no blog e quem sabe alcançar uma elaboração emocional pra ela... ou melhor, para nós.
De acordo com minhas pesquisas, nas principais definições populares, o amor platônico se refere a qualquer tipo de relação afetuosa ou idealizada que se abstrai do elemento sexual, ou ainda alude a um amor impossível, difícil ou que não é correspondido.
(Um parêntese - no caso, o meu amor platônico abarcaria quase todas as características: idealizado, não sexual, impossível, difícil e não correspondido, já que o “objeto amado” mora em São Paulo, não me conhece pessoalmente para além do breve momento do autógrafo, jamais imagina “meu sentimento” e, portanto não me corresponde).
Segundo a autora Renée Webber, doutora em filosofia pela Universidade de Columbia e professora de filosofia na Universidade de Rutgers – EUA, e estudiosa de Platão, em entrevista realizada por Scott Minners, o amor platônico é um dos conceitos mais incompreendidos do filósofo, especialmente nesta questão do amor considerado ascético e assexuado. Webber aponta que para Platão o amor é um conceito cósmico, “é uma escada com sete degraus que vão do amor por uma pessoa até o amor pelas realidades superiores do universo” (conf. entrevista na íntegra), e que permanecer apenas no primeiro degrau é ficar paralisado em comparação a tudo que a pessoa poderia vir ser.
Diante da complexidade filosófica do tema, priorizaremos as definições populares, por serem as que estão mais relacionadas com o imaginário popular quando falamos sobre a ideia do amor platônico, mas fica o incentivo para a leitura da entrevista na íntegra devido a sua riqueza de informações sobre o amor na filosofia de Platão.
Por que ter um amor platônico é uma saída fácil? Primeiramente porque o nosso ideal de parceiro continua intacto, já que ele não é questionado por uma realidade vivida. O príncipe segue sendo príncipe eternamente e nunca vemos o lado sapo dele. Segundo, porque não corremos o risco de receber um não, de sermos rejeitados ou abandonados. Na fantasia do amante platônico o amor é perfeito assim como os diálogos internos estabelecidos, no entanto, ideal e irreal. Acredito que a minha adolescência foi permeada por amores platônicos exatamente por causa do medo da rejeição, já que eu tinha uma baixa autoestima, o que pode ser muito comum para os adolescentes em geral.
Por outro lado, ter um amor platônico é também uma saída difícil na medida em que o indivíduo fica preso numa fantasia não realizada, numa vida não vivida. Seu amor não é recíproco e então ele não recebe o amor em troca, e apesar da saída da realidade para “viver” o amor platônico no plano das ideias, em um determinado momento, o vazio e a falta de amor aparecerá como consequência da não realização do desejo. Ansiedade, medo, culpa, depressão e angústia são sentimentos recorrentes para estes “amantes”.
A idealização é um fator importante no amor platônico assim como no início de qualquer relacionamento, quando nos encantamos mais pelo ideal de parceiro que temos do que pela pessoa real na nossa frente. A diferença é que no amor platônico a chance de perder a idealização é menor pois não há relação na realidade, e na vida real sim, pois o parceiro real irá inevitavelmente se apresentando a nós.
Então, se pensarmos superficialmente, seria uma grande vantagem continuar tendo amores platônicos durante a vida: amores perfeitos, não correr riscos, menos corações partidos.
Mas ter uma vida – ou pseudo-vida - amorosa segura não significa ter uma vida amorosa feliz. No livro “Comer, Rezar, Amar”, quando Elizabeth está em dúvida sobre viver seu amor por Felipe, a xamã Wayan fala (no filme é o xamã Ketut quem fala) que as vezes, perder o equilíbrio por amor faz parte de ter uma vida equilibrada.
E eu estou de acordo! Como é bom sentir o frio na barriga da época do encantamento, quando ainda não sabemos se somos ou seremos correspondidos, ou quando escutamos um “eu te amo” pela primeira vez num momento totalmente inesperado, ou quando fazemos amor intensamente, corpos misturados e entregues. E como é difícil viver o fim, o adeus de alguém que ainda amamos, e sofrer todos os sentimentos de tristeza, melancolia, perda de controle do choro, angústia, etc..
SENTIR, esta é a palavra “mágica”.  Somente na realidade podemos de fato sentir. E quem sente está vivo! Quem não sente já morreu, em morte ou em vida. Seja no prazer ou na dor, vale muito a pena!

Texto dedicado a minha adolescente interna.
Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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  fotos retiradas por mim
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2 comentários:

  1. Olá, Adriana! Muito interessante o seu texto.

    Principalmente pelo fato de você se abrir tão sinceramente.

    Todos já tivemos algum amor platônico, mas poucos sabemos qual é a definição real disso. Seu texto deixou isso bem claro.

    Parabéns!

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    1. Olá Diógenes,
      obrigada por deixar seu comentário.
      Verdade, todos nós já tivemos um amor platônico, a diferença é que com a maturidade a gente passa a saber que esse amor é apenas uma idealização do outro e fica apenas a admiração pela referida pessoa.
      Um abraço
      Adriana Freitas

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