sábado, 20 de setembro de 2014

POR QUE FICAMOS EM RELACIONAMENTOS FALIDOS?

POR QUE FICAMOS EM RELACIONAMENTOS FALIDOS?

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A capacidade do ser humano de adaptação a qualquer condição de vida é incrível. Mesmo quando o contexto que se vive é ruim ou até mesmo destruidor, podemos viver estáveis na doença, sem mover uma única “palha” para sair do lugar, ou criando falsas estratégias de resolução.
Por que isso acontece? Porque cada indivíduo tem uma história que justifica cada tipo de adaptação. A partir dessa história vamos construindo nossos valores, nossos conceitos de amor, de certo e errado, o que é permitido e proibido.
Peguemos o exemplo da violência doméstica. Parece surreal, mas ainda hoje milhares de mulheres sofrem violência de seus parceiros. Algumas denunciam o ato violento nas delegacias de mulheres e outras simplesmente se silenciam. Outras, mesmo após denunciarem e afastarem os parceiros, depois os requisitam de volta. O que acontece é que na história de vida desses homens e mulheres, a violência é um padrão relacional aceito consciente ou inconscientemente, sendo o conceito de amor confundido com a violência.
Isso serve para qualquer outro padrão aprendido. Os padrões afetivos podem ser positivos e negativos e temos uma forte tendência de repeti-los nos relacionamentos amorosos. Além da violência, encontramos outros padrões negativos comuns como o distanciamento, a hostilidade, as brigas, as desqualificações, a dependência, a disputa de poder, a negação da realidade, as mentiras, as traições, a vitimização, a infantilidade, etc., que contribuem para a falência dos relacionamentos.
O autor sistêmico Mony Elkaim – a sistêmica é a visão teórico prática a qual trabalho - fala que sempre vivemos duplo-vínculos em nossas vidas e relacionamentos. Duplo-vínculo consiste numa contradição entre nosso Programa Oficial, que é nosso desejo consciente, e o nosso Mapa de Mundo, que são os aprendizados que tivemos na família de origem, todo nosso background, que geralmente é inconsciente.
Assim, quando nosso aprendizado não condiz com o nosso desejo, faremos um boicote inconsciente do desejo, pois não temos permissão histórica para vivê-lo. Essa contradição e esse boicote se transformam num duplo-vínculo porque o que aprisiona será a não permissão para questionar os conceitos construídos na família de origem, já que culturalmente a família é considerada sagrada ou, por outro lado, ainda buscamos amor na família, e portanto, não podemos criticá-la, ou porque não temos consciência da repetição e dessas forças familiares.
Em outras palavras, vivemos e ficamos em relacionamentos ruins porque aprendemos padrões amorosos negativos, e os repetimos por sermos leais as nossas famílias de origem. Inconscientemente não queremos ser desleais ao que nossos pais nos ensinaram sobre o certo e errado no amor.
Por outro lado, outras questões que aprisionam os casais em relacionamentos falidos são os valores pelos quais iniciaram ou mantiveram a vida a dois, como religião, status, dinheiro, bens construídos, filhos, medo da solidão, dependência, dentre outros.

Quando se trata de um casamento, mesmo falido, sair é muito difícil pois existe todo o peso de uma história construída. Mas antes de constatar a falência, já se passaram várias etapas no processo do relacionamento: negação da realidade do problema, brigas para mudar o outro, tentativas de resolução das complexas questões. O que quero enfatizar como um aprisionamento dos indivíduos numa relação falida é quando todas as tentativas de resolução já se findaram, e os indivíduos, exaustos, simplesmente ficam, falidos e tão mortos quanto o relacionamento.
Ao escrever este texto, lembrei-me com saudades do Rubem Alves e de seu livro “O Passarinho Engaiolado”, vejam o vídeo abaixo, com a apresentação do livro em slides.

Permanecer em relacionamentos falidos é como viver numa gaiola aberta...
E você leitor? Está “voluntariamente preso” num relacionamento falido? Deixe sua opinião no espaço para comentários abaixo!

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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Referências das Figuras
– Imagem retirada do google imagens

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13 comentários:

  1. Ótimo texto! Parabéns pelo blog. Marlúcia Maia

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    1. Obrigada Marlúcia! Fico feliz com sua apreciação!
      Um abraço, Adriana

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  2. Mais uma vez que lindo texto Adriana...há quantas prisões nós nos submetemos...é necessária muita coragem e trabalho para a libertação...e é lindo ver o passarinho começar a botar a cabeça pra fora e alçar voô...que possamos ser livres... é o que eu desejo pra mim e todos que tenham o prazer de ler esse texto. Bom dia! Handula

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    1. Obrigada por compartilhar seu comentário Handula! É realmente um trabalho difícil mas vale muito a pena, pois como você disse, o vôo do passarinho é belo!
      Um abraço, Adriana

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    2. Tudo a ver com o tecto, sou casado a mais de trinta anos e a muito tempo sinto meu relacionamento sem sentido algum...a único sentimento forte é realmente e o amor que sinto pelas minhas filhas, faço tudo por elas e em prol da família. O tempo todo penso em sair, morar sozinho, buscar em ser feliz novamente, me reencontrar. O que fazer? Qual melhor caminho e decisão tomar? Não posso continuar vivendo assim...um abraço. G.Cardoso - RJ.

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    3. Olá G. Cardoso, deve ser muito difícil pra vc chegar nessa etapa depois de 30 anos de casado e estar insatisfeito com seu relacionamento. Deve ser muito ruim pra sua esposa também. Vc já avaliou se realmente não há possibilidade de resgatar e curar esse relacionamento? Existe alguma possibilidade desse casamento ainda valer a pena. Se existe, vcs precisa buscar uma terapia de casal para ajudá-los a construir uma relação em novas bases mais saudáveis e prazerosas. Mas se vc já avaliou que isso é impossível, o melhor mesmo é assumir essa realidade, parar de negá-la, e buscar sair do relacionamento da forma mais digna que for possível. É muito importante vc se permitir viver melhor e vc é responsável por construir essa melhora na sua vida.
      Obrigada por deixar seu comentário!
      Att.
      Adriana Freitas

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  3. Gostei bastante do texto. É triste constatarmos que muitas pessoas sofrem com esse aprisionamento. E que muitas delas não conseguem se livrar, ou ainda pior, "gostam" de viver esse drama, como se fosse uma espécie de masoquismo. Existem ainda aquelas pessoas que querem se livrar desse drama, mas não sabem como.

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    1. Obrigada por deixar seu comentário Samuel! Realmente é muito triste esse aprisionamento, e muito difícil se livrar dele, mas pra quem está disposto, existem muitos caminhos na busca de crescimento pessoal, sendo a psicoterapia um desses caminhos. Leva tempo e dá trabalho, mas vale a pena.
      Um abraço
      Adriana

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  4. Que texto fantástico, Adriana, como tudo o que você escreve...
    Muito verdadeiro e a conclusão é fantástica: "Permanecer em relacionamentos falidos é como viver numa gaiola aberta..."
    Tenho certeza que seus textos fazem as pessoas refletirem profundamente sobre suas vidas e escolhas!
    Sucesso sempre!
    Abraços,

    Juliana Prado
    julianapsm@gmail.com
    www.sabedorianolar.com

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    1. Obrigada pelo carinho Juliana! Fico feliz que meus textos estejam te tocando dessa forma, e realmente espero que ajudem outras pessoas. Um abraço
      Adriana

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  6. Triste realidade, pior quando você cada com uma pessoa e ela faz tudo que você fez de ruim no relacionamento anterior. Parece que tô pagando os pecados, rs

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    1. Olá Filipe,
      triste mesmo né. Infelizmente nessa situação sua, você só mudou para o "outro lado da moeda", mas o padrão da relação ruim se repete. Você deve estar repetindo o conceito de amor da sua história familiar de origem (tem um texto no blog sobre conceito de amor, dá uma olhada nele), e é preciso quebrar essas crenças pra que vc possa mudar de atitude e mudar seu atual relacionamento. Uma psicoterapia é um caminho que pode te ajudar muito.
      Agradeço por deixar seu comentário!
      Um abraço atencioso, Adriana

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