terça-feira, 30 de setembro de 2014

INTIMIDADE NÃO É SEXO

INTIMIDADE NÃO É SEXO

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Essa é uma confusão frequente das pessoas. Acham que ter intimidade é igual a transar ou fazer amor, como preferem nomear.  Mas esse é um erro conceitual.
Podemos ter sexo sem ter intimidade nenhuma com a outra pessoa. Essas são aquelas experiências quando duas pessoas se conhecem “numa noite”, sentem tesão uma pela outra e decidem fazer sexo. Elas se conhecem de forma bastante superficial e, portanto não têm intimidade.
Por outro lado, encontramos também casais que passam a vida inteira juntos, fazem sexo, até conversam de vez em quando, mas não compartilham suas questões mais profundas, nem seus sentimentos mais íntimos. Estes também não têm intimidade.
A construção da intimidade depende de uma relação que se prolonga no tempo, mas o tempo por si só, não garante que um casal seja íntimo. Para que haja intimidade, é necessário que os parceiros se predisponham a revelar-se e a conhecer o outro mais profundamente.
Vivemos numa cultura extremamente ansiosa especialmente em termos relacionais. Queremos e chegamos ao sexo ou a paixão muito rapidamente, mas não damos tempo necessário e nem saboreamos a construção de uma intimidade afetiva consistente.
intimidade, sexo, tempo, Sobonfu Somé, o espírito da intimidade, romance, medo, relacionamentosSobonfu Somé, autora do livro “O Espírito da Intimidade” aborda os ensinamentos ancestrais africanos sobre os relacionamentos. Em seu livro tem uma metáfora maravilhosa comparando a construção da intimidade como uma a subida na colina.
Ela diz que observou na cultura americana que os casais costumam começar o relacionamento no topo da colina, onde existe a sensação de romance e paixão. Mas um relacionamento que começa no topo não terá pra onde evoluir mais e tenderá a descer a colina, forçando o enfrentamento dos problemas que se tentou evitar.
Na cultura africana, a comunidade juntamente com o casal, tendo em vista o propósito do espírito*, procura empurrar gradualmente o relacionamento de baixo para cima na colina, e assim, quando chegam ao topo, estão fortalecidos e levam a comunidade junto.
Para a autora, “O romance ignora todos os estágios de uma união espiritual, em que começamos embaixo da montanha e, gradualmente, caminhamos juntos até o topo; não deixa espaço para a verdadeira identidade das pessoas aparecer; estimula o anonimato e força as pessoas a se mascararem” (SOMÉ, p.106, grifo meu). E se relacionamos com o outro mascarado e não conhecemos seu verdadeiro eu, não há intimidade.
Então, a construção da intimidade dá trabalho e requer um investimento dos parceiros em conhecer a si mesmos para em seguida se revelarem ao outro. Requer também um aprendizado da escuta sem defesas, para que se possa conhecer o outro de maneira mais profunda, com suas qualidades e defeitos, com sua luz e sua sombra.
O problema para os relacionamentos é quando os indivíduos querem chegar ao topo da colina caindo de paraquedas e não fazendo a caminhada da subida. Isso não é intimidade, mas sim duas pessoas (des)conhecidas que compartilham apenas a parte prática da vida e suas ilusões.
Acredito que um dos maiores medos dos indivíduos sobre viver a intimidade nos relacionamentos é a própria necessidade de terem intimidade consigo mesmos. Conhecer a si mesmo é muitas vezes assustador quando passamos uma vida escondendo nossas feridas infantis e nosso lado sombrio.

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Outro medo é porque ao se revelarem, ao mostrarem suas feridas mais profundas, ficarão vulneráveis ao parceiro, que poderá usar suas fragilidades como arma em algum momento de raiva e briga.
Infelizmente ou felizmente, há que se correr tais riscos se deseja construir intimidade num relacionamento. E por que valeria a pena? Porque o ganho quando se consegue chegar a uma intimidade verdadeira é muito maior do que qualquer risco. É o ganho de se sentir vinculado profundamente com outro ser humano e poder desfrutar de sentimentos de pertencimento, cumplicidade, tendo trocas afetivas, amorosas, e compartilhando desejos de crescimento e desenvolvimento de potencial de ambas partes.
Num texto posterior, escreverei sobre os sete níveis de intimidade, segundo o autor Matthew Kelly. Aguardem!
E você leitor, consegue identificar as relações que tem ou teve intimidade verdadeira? Compartilhe conosco no espaço para comentários abaixo!
  
*Para detalhes sobre o pensamento da cultura africana mencionada, conferir o livro.
Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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