segunda-feira, 18 de agosto de 2014

COMER, REZAR, AMAR – ENCONTRANDO A SI MESMO PARA ENCONTRAR O AMOR

COMER, REZAR, AMAR

ENCONTRANDO A SI MESMO PARA ENCONTRAR O AMOR

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No final do ano passado li o livro “Comer, rezar, amar” da Elizabeth Gilbert e me identifiquei muito com a busca pessoal da autora. Já havia assistido ao filme, mas como sempre o livro tem uma riqueza de detalhes muito maior.
A leitura do livro influenciou muito na minha decisão de investir no blog e também no meu desejo sincero de praticar meditação, o que hoje faço com consciência e dedicação.
A autora relata uma parte de sua história em busca de encontrar, resgatar ou descobrir seu verdadeiro Eu. Após o fim do seu casamento e de um divórcio extremamente desgastante e destruidor, seguida por sua paixão pelo ator David, que rapidamente cai em decadência, ela percebe que precisa de uma grande transformação na sua vida, decide se dar um ano sabático e fazer uma viagem por três países, Itália, Índia e Indonésia. Em cada país ela enfocou uma busca específica: na Itália o prazer, na Índia a devoção e na Indonésia o equilíbrio. Cada país é uma parte do livro e todas três possuem histórias emocionantes e de profundo crescimento pessoal.
Gostaria de destacar o quanto as duas primeiras relações citadas no livro, com o marido e com David, foram de muita dependência, onde Liz (apelido de Elizabeth) acabava se amalgamando no projeto do parceiro, de forma a não se posicionar quanto aos seus desejos e vontades além de assumir os do outro. Como ela não conseguiu viver o luto do divórcio sozinha e caiu logo em seguida no relacionamento com David, repetiu os mesmos padrões de anulação de si mesma. Dessa maneira, a conclusão foi uma crise pessoal ainda mais intensa, onde, ou a autora fazia alguma coisa por si mesma ou ficaria mais doente, presa na depressão e morta internamente.

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Essa dinâmica de relações dependentes é muito comum nos casais na vida cotidiana e se levada ao extremo, pode gerar a morte emocional de um parceiro em decorrência da necessidade de “vida” do outro. Isso acontece quando só a vontade de um prevalece e o outro sempre abre mão do seu desejo para preservar a relação, havendo um prejuízo para a personalidade. O exigente na verdade é inseguro e para tampar seus sentimentos projeta no outro seu controle e manipulação, os quais o parceiro cede por causa do seu medo de ser abandonado. Ambos os lados são doentes.
Os fatores que influenciam para a construção de relações dependentes são a cultura da sociedade, das religiões e da família, que através de suas definições sobre as relações de gênero, estipulam os papéis adequados e inadequados para homens e mulheres, limitando assim as vivências dos casais.
Se o indivíduo tem uma carência de origem familiar, onde não recebeu o afeto que precisava e merecia ou desejava, poderá projetar toda sua demanda na relação amorosa, ficando assim dependente do afeto do outro e submetendo-se em função do medo da perda. Essa dinâmica ao longo da vida pode ser extremamente adoecedora e se gerar uma crise, como aconteceu com Liz, será uma grande chance de transformação na vida.
As crises, por mais dolorosas que sejam, são momentos muito especiais em nossas vidas que nos trazem um aprendizado importante. Servem para descongelar e destruir núcleos ou partes de nossas vidas que estão profundamente enrijecidos e resistentes possibilitando mudanças estruturais. Muitas pessoas aproveitam as crises, fazem uma revisão de suas histórias, traçam novas propostas de mudança e crescem a partir disso. Outras pessoas simplesmente ficam inconscientes, continuam adoecendo ou adiando novas crises, sem realizar nenhuma transformação importante. Cabe a cada indivíduo decidir o que deseja fazer.
Elizabeth Gilbert transformou sua crise numa busca pessoal, emocional e espiritual que operou mudanças profundas em sua vida. Em sua jornada lidou com suas piores partes e descobriu as melhores partes de si mesma.
Resumidamente e muito superficialmente, na Itália aprendeu a viver o prazer da gastronomia, da amizade e do estar sozinha. Na Índia aprendeu a enfrentar seus demônios internos que apareceram nas práticas meditativas até encontrar o perdão e a paz dentro de si. Na Indonésia sua busca por equilíbrio envolvia a meditação, o servir ao outro, as amizades e as viagens. Foi ao final dessa jornada que ela encontrou o amor.
Vejam bem, grande parte da jornada do encontro consigo mesma, Liz  Gilbert precisou fazer sozinha: livrar-se da sua dependência das relações amorosas, descobrir o prazer de viver, perdoar-se e estar em paz com suas escolhas. Se não passarmos por essa jornada primeiro, certamente entraremos nas relações buscando nossa metade da laranja e jamais a encontraremos pois essa metade vazia em nós só pode ser preenchida com nosso crescimento pessoal.

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Buscar nossa metade no outro é um dos grandes problemas das relações amorosas. Para Liz, encontrar a si mesma fez toda a diferença para que estivesse madura para encontrar o amor. Enquanto o amor não vem, vale a pena investir em si mesmo. E se o amor já chegou, também é possível reservar e preservar aquele cantinho no mundo interno para continuar com suas buscas pessoais.

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Elizabeth Gilbert e José Lauro Nunes (Felipe)

E você? Tem investido nessa busca de encontrar a si mesmo? Compartilhe os conosco seus pensamentos, opiniões e questões sobre este post e sobre o tema no espaço para comentários abaixo!

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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Referências das Figuras
1 e 4  http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI175701-17642,00-ELIZABETH+GILBERT+AUTORA+DE+COMER+REZAR+AMAR+FALA+SOBRE+AMOR+E+CASAMENTO+EM.html
2 - Imagens retiradas do google imagens
3 -  http://www.viagenscinematograficas.com.br/2014/01/viagem-inspirada-no-filme-comer-rezar-amar.html

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2 comentários:

  1. Bom dia , linda matéria! Muito construtiva! Realmente necessário encontrar a si mesmo antes de "jogar" nos braços do outro a responsabilidade de realizar todos os nossos anseios e mais lindos sonhos. O difícil é aplicar na prática toda essa teoria. Sim, porque sempre leio e procuro estar atenta ao meu comportamento, às minhas carências e necessidades. Uma coisa é certa: aprendi que tenho que parar de idealizar o outro, e achar que encontrar alguém com quem me relacione e a solução para as minhas inseguranças (Vou encontrar alguém que me ame de verdade? Vou ter filhos? Ele será um bom pai, como o que eu nunca tive? Eu serei abandonada, como minha mãe foi?). Não há como saber!rs Cuidar de mim, dos meus projetos e sonhos, ter fé e esperança nos meus propósitos, isso sim é previsível! Portanto, acho que já tenho um bom começo em me reconhecer humana, cheia de defeitos e realista ao olhar o outro. A parte da insegurança é mais difícil, já que tem raízes na infância. Mas vou trabalhar melhor este lado e consciente dessa necessidade posso ponderar se realmente vale a pena esse "mar de sofrimentos" desnecessários. Vou viver, me permitir, sempre vigilante para não cair na dependência afetiva, chega de angústia!Quero relações saudáveis!rs

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  2. Olá Lidieva, realmente aplicar a teoria na prática é muito difícil pois não existe uma receita pronta. Cada pessoa precisa encontrar o seu caminho na busca de si mesma. Vejo que você já encontrou alguns caminhos, faço votos que continue buscando e encontrando outros. Penso que passaremos a vida toda cuidando de velhas e novas carências, mas o que importa é estar disposto a assumir essa responsabilidade.
    Um abraço!
    Adriana

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