sábado, 5 de julho de 2014

A PREGUIÇA – “PECADO CAPITAL” TAMBÉM NOS RELACIONAMENTOS

A PREGUIÇA

“PECADO CAPITAL” TAMBÉM NOS RELACIONAMENTOS

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Essa semana, estando meio sem inspiração para escrever, me vi sentindo preguiça de trabalhar no post semanal do blog. Comecei então a refletir sobre como isso também acontece com frequência nos relacionamentos, quando ficamos com preguiça de enfrentar, dialogar, negociar e resolver diversas questões com nossos parceiros.
A preguiça é definida como pouca disposição ou aversão ao trabalho seja ele qual for. Ela se apresenta na morosidade em cumprir alguma atividade física ou mental. Assim, o preguiçoso evita situações nas quais precise fazer algum esforço.
Na vida e nas relações amorosas, o enfrentamento do outro e das dificuldades humanas, requer um investimento de energia que muitas vezes nos é bastante incômodo e desgastante. Não enfrentar é uma saída de maior economia  energética momentânea, característica central da preguiça. No entanto, o conteúdo não enfrentado aparecerá novamente em outro momento, tornando inevitável que o indivíduo se posicione ativamente. No pior dos casos de evitação crônica, onde há a permanência num relacionamento falido, poderão surgir sintomas nos parceiros ou nas gerações seguintes, mortes (inclusive a morte em vida), brigas crônicas, anestesias com drogas lícitas e ilícitas, etc.
preguiça, pecado capital, pecado, relacionamentos, procrastinar, diálogo, trabalhoA preguiça pode ser uma defesa ou uma reação contrária ao enfrentamento de algo incômodo para nós. Juntamente com ela, vem a procrastinação. O problema é que adiar o enfrentamento de uma dificuldade pessoal ou relacional não a eliminará de nossas vidas e pior, pode aumentá-la consideravelmente. E se estávamos tentando economizar a energia através da evitação, a força terá que ser ainda maior para lidar com o problema posteriormente ampliado e “inflamado”.
Dessa forma, precisamos avaliar quais conteúdos relacionais nos provocam preguiça para compreendermos quais dificuldades importantes internas precisam ser trabalhadas. 

Avaliando minha procrastinação para escrever este post, consigo enxergar algumas questões e sentimentos escondidos por detrás, pontos nodais a serem considerados:
1. Falta de organização: sou responsável por todos os aspectos administrativos pessoais e profissionais da minha vida. Quando não me organizo de forma a encaixar todas as minhas atividades na agenda, tudo se acumula e passo a me sentir em débito comigo mesma. Com tanta coisa para fazer  e "pouco tempo", e falta de inspiração diante de uma tarefa mais difícil ou mais trabalhosa, podemos nos perder na preguiça. Tendemos a fazer o que é mais fácil primeiro adiando o mais complicado. Conversar sobre problemáticas relacionais está neste último grupo e tendemos a adiá-la. Precisamos então organizar nossas vidas de forma a colocar o diálogo, por mais complexo que seja, como uma prioridade da relação, incluído dentro a nossa agenda.
2. Confusão Mental: quando eu não sabia o que escrever apesar das múltiplas ideias ainda existentes, entrei num processo de confusão e talvez letargia mental, os quais comecei a evitar fugindo da tarefa. Precisei “conversar” com minha preguiça para compreendê-la e sair dela. Quando estamos confusos sobre nossos sentimentos ou ações nos relacionamentos, tendemos a evitar o confronto com os parceiros pelo fato de não sabermos qual posicionamento tomar. Algum tempo é realmente necessário para clareamos nossa compreensão, e para assumirmos a postura que precisamos. Mas sem fuga, pois esta só nos leva pra mais longe de nós mesmos e do parceiro.
3. Anestesiando emoções: quando fiquei paralisada diante das minhas muitas atividades e da dificuldade de dedicar a escrita, minha ansiedade aumentou e em seguida a preguiça ficou maior anestesiando tudo. A preguiça, assim como as compulsões no geral, também tem o “poder” de anestesiar as emoções advindas dos conflitos relacionais. Enfrentar e elaborar sentimentos difíceis é uma tarefa muitas vezes árdua. Demanda coragem e disposição. Anestesiar é como procrastinar, adia mas não elimina o problema.

4. Enfrentamento das dificuldades e dificuldade com enfrentamentos: precisei admitir que estava com dificuldades em relação a escrever esta semana para então buscar compreender o que estava acontecendo e transformar isso num texto. Quando conseguimos admitir nossas dificuldades, já caminhamos o primeiro passo. Nos relacionamentos tendemos a negar nossas dificuldades em função do nosso medo do enfrentamento, mas por trás desse sentimento tem o maior medo que é da perda do amor do parceiro. Precisamos compreender que o não enfrentamento se transforma numa sujeira varrida para debaixo do tapete e que é com o enfrentamento que a intimidade cresce, quando conseguimos desenvolver uma conversa honesta sobre nossos sentimentos mais profundos.
O oposto da preguiça seria o resgate da disposição para o trabalho. Resolver problemas e dificuldades relacionais dá trabalho mesmo! Infelizmente temos uma crença infantil de que os relacionamentos têm que dar certo por si só, sem fazermos nenhum esforço. Por isso ficamos tão preguiçosos diante das problemáticas amorosas. Precisamos construir uma nova crença sobre os relacionamentos, que inclua o enfrentamento de si mesmo e do outro como parte de uma postura adulta, reflexiva e ativa.

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Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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2 comentários:

  1. Mais uma vez um post maravilhoso...muito obrigada, Adriana. A preguiça tem andado comigo há um bom tempo...quão dura é a saída da mesma...esse post pra mim foi um exemplo de transformação da procrastinação em ação. Handula

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    1. Ei Handula! Obrigada pelo comentário. Que bom que vc pôde aproveitar o texto como um exemplo! Realmente é muito difícil sair da preguiça pois ela nos paralisa. É uma luta interna constante. Tomara que você passe da procrastinação para uma postura mais ativa e coerente na vida. Um abraço, Adriana

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