sexta-feira, 18 de julho de 2014

ELE NÃO ESTÁ TÃO AFIM DE VOCÊ – SOBRE SABER RETIRAR-SE

ELE NÃO ESTÁ TÃO AFIM DE VOCÊ

SOBRE SABER RETIRAR-SE


Ele não está tão afim de você” é o nome de uma comédia romântica dirigida por Ken Kwapis, e estrelada por Ben Affleck, Jennifer Aniston, Drew Barrymore, Scarlett Johansson, Ginnifer Goodwin, Justin Long, dentre outros.  No vídeo abaixo vocês verão os comentários de Isabela Boscov sobre o filme, falando pelo Veja Cinema:



Concordo com Isabela, quando comenta que o filme teve um resultado simpático. Acho que isso acontece porque despretensiosamente, o filme fala sobre encontros e desencontros dos relacionamentos, e sobre como homens e mulheres “enlouquecem” tentando compreender as mensagens, diretas ou contraditórias de seus pretendentes, sendo as mulheres as que mais buscam justificativas para as ausências masculinas.

Em seu delicioso livro "Mulheres - por que será que elas...?*", Leila Ferreira tem um capítulo inteiro falando das desculpas que as mulheres inventam para as atitudes dos homens. "O amor não correspondido, ou a paixão não correspondida, ou simplesmente a atração não correspondida costumam provocar um embotamento dos sentidos que impede a mulher não só de ver, mas de ouvir, sentir, registrar o gosto ou o cheio de qualquer sinal que denuncia a não correspondência do sentimento" (cap. 18, pág. 191).
Apesar de serem as mulheres as que mais tem "problema de visão" nos relacionamentos, quantas vezes já levamos e já damos um fora? Tem momentos em que a coisa simplesmente não se encaixa, seja por falta de química física, sexual, intelectual, afetiva, de objetivos de vida, ou de questões inconscientes que nem sabemos nomear. Mas sempre ficamos muito sentidos por levar um fora, e muito desconcertados para dar um fora.
Dando um fora
Dar um fora é tão desconcertante quanto levar um fora. O outro aparece te solicitando ou inconvenientemente insistindo e você não tem a menor vontade de ficar com ele. Geralmente utilizamos as piores estratégias: desaparecimento, desculpas esfarrapadas e deixar de molho. Temos uma enorme dificuldade de dizer a verdade, ou porque não queremos magoar o outro, ou queremos ter um estepe sobressalente para uma rapidinha de vez em quando ou porque gostamos de ter alguém interessado em nós.
Tem situações em que realmente é muito difícil falar a verdade. Já ouvi na clínica e entre amigas diversos relatos: o rapaz tinha um mau-hálito terrível que não dava pra ficar nem conversando com ele. Outras vezes a pretendente era tão carente (vide a personagem Gigi do filme acima indicado) que colava na parceiro, oferecendo muitas coisas inadequadas para o momento do início de uma relação e sufocando-o. Ou a insegurança do homem com o próprio corpo (com seu pequeno membro) impedia que a coisa fluísse na cama. Como falar dessas coisas pra o outro? Impossível. Daí inventamos desculpas amenas.
Levando um fora
Levar um fora é muito ruim, mas levar um fora depois de uma noite que pareceu maravilhosa é pior. O indivíduo fica sem compreender o que de fato aconteceu. Ou o outro foi falso ao extremo quando demonstrou sentir um grande prazer na sua companhia ou só queria viver o momento, ou não está buscando um relacionamento. Desculpas e mais desculpas.
Por que tentamos sempre compreender os motivos de o pretendente não ligar no outro dia ou na semana seguinte? Porque não conseguimos seguir em frente sem ter um sentido para o fora que levamos, que sirva para amenizar um sentimento de culpa, explícito ou oculto, quando nos colocamos toda responsabilidade pelo outro não gostar da gente. Talvez sabendo o motivo, possamos consertar o que há de errado com a gente, para poder acertar da próxima vez. Falta de autoestima!
Saber Retirar-se
A maior liberdade possível para o ser humano é quando ele consegue se dar o direito de ser ou não ser amado. O outro pode gostar ou não gostar de mim, ou posso gostar do outro e ele ir embora em busca de suas próprias escolhas.
Se sentimos algo de valor pelo pretendente, vale a pena fazer uma iniciativa. Entrar em contato e ver a possibilidade de um novo encontro acontecer. Mas se o outro não corresponde suas mensagens, não esboça nenhuma iniciativa de volta, ou não topa realizar um encontro, este é o momento de bater em retirada. Quando não saímos nesse momento, já entramos num lugar de carregar uma relação nas costas, e podemos nos ferir mais adiante, com expectativas não correspondidas. Quando há interesse mútuo, a troca, o contato, as mensagens, os encontros fluem com facilidade, sem ter que fazer esforços sobre-humanos.
Precisamos aceitar que seja por que motivo for, o outro tem o direito de não gostar da gente e vice-versa. Compreendendo que não houve uma conexão mais profunda, em níveis conscientes e inconscientes, fica mais fácil levarmos um fora, batermos em retirada sem deixar que nossa autoestima fique comprometida.


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Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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*Confira aquireferência completa do livro.
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4 comentários:

  1. Olá Adriana, ótimo texto, como os demais escritos do Blog. Abraço de Rodrigo (Geologist)

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    1. Olá Rodrigo,
      muito obrigada por deixar seu comentário aqui no blog! Fico muito feliz que vc esteja gostando dos textos.
      Um abraço, Adriana

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  2. Adriana, no texto diz: "...Mas se o outro não corresponde suas mensagens, não esboça nenhuma iniciativa de volta, ou não topa realizar um encontro, este é o momento de bater em retirada. Quando não saímos nesse momento, já entramos num lugar de carregar uma relação nas costas, e podemos nos ferir mais adiante, com expectativas não correspondidas. Quando há interesse mútuo, a troca, o contato, as mensagens, os encontros fluem com facilidade, sem ter que fazer esforços sobre-humanos... ".

    Então, ter expectativas nem sempre é errado?

    Sempre leio que criar expectativas/ cobranças é errado e na maioria das vezes é o que acaba com os relacionamentos.
    E eu não concordo muito com isso. Penso que deve haver uma reciprocidade sim, é isso que motiva a outra pessoa. Mas claro, tudo dentro do bom senso. Agora, abandonar as expectativas em relação ao outro, a relação, não concordo e nem sei como seria viver assim.

    Abraço, Lia -DF.

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  3. Oi Lia,
    infelizmente criar expectativas é um grande problema em qualquer relação que estabelecemos, seja amorosa, paterna, materna, fraterna ou filial. O que acontece é que criar expectativas é ficar esperando que o outro mude, de acordo com nossos desejos e necessidades. Quando o outro corresponde nossas expectativas, tudo fica bem, mas se não, está instaurado um problema na relação, e podemos passar grande parte da vida tentando mudar o outro para que ele se transforme no que gostaríamos que fosse. Existem relações e situações as quais podemos e devemos negociar com nossos parceiros. Mas nem sempre o outro quer mudar e precisamos ou aceitá-lo como é ou escolher deixá-lo quando o problema é inaceitável, o que é muito doloroso também.
    Bem, espero que tenha conseguido esclarecer um pouco mais sobre a questão das expectativas. Se não, continuemos o debate!
    Obrigada por deixar seu comentário! Abraços carinhosos
    Adriana

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