segunda-feira, 23 de junho de 2014

NA ERA DAS REDES SOCIAIS, NINGUÉM PASSA A GENTE PRA TRÁS! - EVITANDO ENTRAR NUMA FURADA RELACIONAL

NA ERA DAS REDES SOCIAIS, NINGUÉM PASSA A GENTE PRA TRÁS!

EVITANDO ENTRAR NUMA FURADA RELACIONAL

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Escrevo sobre esse tema neste post, porque recentemente passei por uma situação onde me safei de entrar numa furada relacional por causa da minha investigação do perfil do homem conhecido no facebook. E esta não foi a primeira vez que isso aconteceu. Também já ouvi várias histórias de amigas e clientes sobre como suas investigações lhes ajudaram evitar entrar em relacionamentos complicados.
Espontaneamente na vida ou através das redes sociais, estamos expostos a encontrar pessoas com valores muito discrepantes. Cada pessoa tem o direito de escolher (consciente ou inconscientemente) e viver seus padrões valorativos. Mas infelizmente existem pessoas que para realizar seus desejos e necessidades utilizam da mentira, do engano, da manipulação e da ocultação. Dessa forma, se estamos buscando um relacionamento sério, temos que ficar muito atentos para avaliar se a pessoa que estamos conhecendo está em sintonia com nossos valores e observar se existem incoerências entre sua fala e ação. Este seria o primeiro ponto de avaliação para não entrar numa furada relacional.
A situação que vivi neste junho foi com um homem que conheci através do tinder, aquele aplicativo para android, onde podemos conhecer pessoas, como num site de relacionamentos. Após nos conhecermos no aplicativo, ele me adicionou no watsapp e no facebook (fb), mas a primeira vista não aparecia nada, nenhuma foto com mulher, nenhuma descrição de relacionamento sério. Houve um encontro até bastante prazeroso com uma conexão bacana na conversa. Depois um desencontro - ausências e doenças suspeitas de final de semana, uma postura insistente pra ir na casa dele mesmo depois que eu disse não, a qual não gostei e falei que não daríamos certo por pensarmos de formas diferentes. E por último uma insistência da parte dele que decidi reconsiderar. Nesse momento resolvi fuçar mais no fb para avaliar melhor a pessoa. Eis que numa foto dele postada em um dia bem recente deste mês, havia um comentário de uma mulher, que sugeria um relacionamento. Ao clicar no perfil dela encontro a confirmação: duas fotos dos dois abraçados, uma delas numa aproximação para um beijo. Excluí todos os contatos que tinha dele, sem dar sinal de alerta.

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É muito decepcionante quando uma coisa dessas acontece com a gente. Se eu não tivesse uma crença muito forte de que existem homens com valores semelhantes aos meus, com certeza cairia imediatamente na crença machista padrão da minha família e da sociedade de que os homens não prestam, que querem apenas sexo e te abandonar. Mas eu escolhi acreditar nos homens, não de forma ingênua. Se não tivermos uma crença positiva sobre a possibilidade de encontrar homens compatíveis, o que vamos atrair? Ou o que vamos aceitar em nossas vidas? Ou estaremos fadados a solidão?
Outra situação que vivi foi com outro homem que conheci através do linkedIn, aquele site profissional. Entrei em contato com o mesmo pois sua profissão era TI e como estou aprendendo a otimizar o blog, fui pedir algumas informações. Acabou rolando um clima e conversas fora do linkedIn. Mas o dito cujo não era um homem com valores muito controversos, provavelmente estava apenas tendo uma fraqueza humana, ele deu pistas de que tinha um relacionamento, pois estava se sentindo culpado em encontrar comigo. Acabamos nos encontrando, mas depois, ele não me adicionou no facebook, eu fiquei mais desconfiada, fui investigar no fb, e mesmo com o perfil todo bloqueado, numa única foto aberta, havia a curtida de uma mulher e ao clicar nela descubro a surpresa: sua esposa, com fotos abertas do casal, o perfil dela não estava todo bloqueado. Pelo menos nesse caso, ele teve a dignidade de sair por conta própria, de uma maneira bastante educada, pois estava se sentindo incoerente com ele mesmo.
Uma experiência um pouco mais distante no tempo foi com um homem que conheci na balada. Com algumas informações que ele me cedeu além do nome, rua e bairro onde trabalhava, profissão advogado, investiguei no google e achei seu escritório, nome completo e joguei no linkedIn e no facebook e advinhem: casado! O perfil dele no fb não era todo fechado e depois da minha acusação, quando ele me procurou, foi lá e fechou o perfil, denunciando a si mesmo. Esse não quis admitir de forma alguma seu relacionamento, mentiu mais ainda jogando a culpa pra cima de mim: “não sou casado, o perfil está desatualizado, mas não posso fazer você acreditar em mim”.
Outra amiga minha que também usou o tinder, investigou o nome do sujeito no fb até encontrá-lo e descobrir coisas esquisitíssimas do mesmo. Outras conhecidas já investigaram o curriculum na plataforma Lattes, BOs de polícia militar, verificaram se formou na faculdade que falou, se trabalha onde falou, e até as multas no detram! Haja criatividade!
Se me perguntarem se eu gosto de ficar desconfiada de todos os homens que conheço a resposta é não. E não é em todos os relacionamentos que isso acontece. Um penúltimo rapaz que conheci também através do tinder (foram apenas dois tá gente! rsss. Até agora rsss) eu tive uma relação muito bacana, com carinho e confiança. Não me senti insegura nem desconfiada em nenhum momento. Só não foi mais adiante por incompatibilidades de momento de vida e objetivos. Conheço também vários casos de casais que se formaram via redes sociais e estão juntos vivendo uma relação muito positiva.
Quando conheço alguém e me sinto insegura, desconfiada, incomodada, é porque minha intuição está entrando em ação, sendo este o segundo ponto a se avaliar quando estamos conhecendo alguém: como eu me sinto em relação a essa pessoa. Com o homem do primeiro relato, desde o início eu estava insegura. Meus sentidos se incomodaram bastante com a “presença” dele em meus pensamentos, durante todo o período em que tivemos contato. Até insônia tive, coisa que raríssimas vezes aconteceu. Cheguei a pensar nas duas opções: ou minha intuição estava gritando "fuja que é problema", ou minha doença emocional estava aparecendo numa boa oportunidade relacional, pois isto também acontece quando ficamos com medo de algo bom na vida da gente, porque temos uma história ruim de relacionamentos familiares e amorosos. De toda forma resolvi ficar em estado de alerta, observando os acontecimentos e buscando ser coerente com meu desejo. E foi onde a verdade se mostrou para mim.
Confiança total é cegueira. Para entrar num relacionamento precisamos confiar sim, mas não de forma cega. Nem desconfiar de forma paranoica. Dar um voto de confiança e ir conhecendo é a melhor estratégia, observando os sinais transmitidos pelo outro. De preferência avaliando se o pretendente a parceiro possui valores semelhantes aos nossos. É necessário entrar com a razão e a consciência na frente, e a paixão e as emoções bem atrás (vide texto no blog sobre a paixão).


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Posteriormente, assisti alguns vídeos da Monja Coen, onde ela falava que o trabalho contra a violência começa com a compreensão de nós mesmos, para assim compreender que todo agressor é vítima de uma sociedade violenta. Compreendi que ao escrever este texto, ainda me sentia com raiva e triste, muito tendenciosa a acusar esses tipos de homens de canalhas, idiotas, mesquinhos, egoístas, etc. Mas eu não havia refletido sobre a atitude desses homens que conheci como sendo um resultado da sua inserção numa sociedade machista, e provavelmente de uma história familiar também machista e violenta que colaborou para que eles reproduzissem a mesma postura masculina diante dos relacionamentos. Isso não significa que nós precisemos ficar nessas histórias nem aceitarmos toda a situação. No entanto, consegui acolher meus sentimentos e ultrapassá-los com essa compreensão, tendo consciência que cada vez mais preciso trabalhar contra meus próprios preconceitos violentos contra os homens para poder contribuir com a construção de uma masculinidade mais saudável, nas minhas relações profissionais, familiares e de amizade.
As redes sociais podem ser um recurso muito bom para evitarmos entrar em relacionamentos problemáticos, mas tenho visto na prática clínica também um uso paranoico e fantasioso das mesmas (assunto para outro texto), comprometendo e prejudicando os casais. Onde estará o ponto de equilíbrio?
Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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Referências das Figuras
1 – google imagens

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2 comentários:

  1. Amei esse post...tudo a ver com o meu momento...questionamentos...e investimentos. Seus textos contribuem muito com as minhas reflexões e de diversas pessoas que eu acabo compartilhando. Quero continuar a receber sempre...Obrigada, Handula

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    1. Obrigada por deixar seu comentário Handula! Fico feliz que os textos estejam contribuindo com seu crescimento e fico grata por compartilhá-los! Um abraço,
      Adriana

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