segunda-feira, 16 de junho de 2014

COPA 2014 - SOBRE FUTEBOL E RELACIONAMENTOS

COPA 2014

SOBRE FUTEBOL E RELACIONAMENTOS

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Aproveitando o contexto da Copa que está acontecendo neste junho de 2014 aqui no Brasil, resolvi publicar este texto com algumas reflexões sobre futebol e relacionamentos.
Quando mudei pra Belo Horizonte, talvez por aqui ser uma cidade maior do que Divinópolis, cidade onde eu morava no interior de Minas Gerais, notei um grande número de torcedores apaixonados por futebol. Paixão esta que se transforma em fanatismo com muita facilidade. Como eu não “sofro” desta paixão, sempre fico sabendo que tem algum jogo acontecendo, só quando algum vizinho grita “galo” ou “zero” ou quando além dos gritos, eles soltam foguetes. Agora na época da copa, eu só sei dos jogos do Brasil e dos jogos que acontecerão no Mineirão, apenas porque tenho que cortar minhas tardes de trabalho da minha agenda nestas datas.
A paixão do brasileiro pelo futebol é uma das poucas paixões do ser humano que são mostradas com tamanha expressividade. E a dedicação do torcedor em assistir jogos, em ler ou assistir jornais a respeito, discutir com amigos e colegas sobre os times, e o investimento de tempo que fazem nessa paixão, são de dar inveja a qualquer relacionamento.
copa 2014, futebol, futebol e relacionamentos, paixão futebolPor isso muitas mulheres, no seu momento ensandecido do relacionamento, querem discutir a relação na hora do futebol, exatamente porque morrem de ciúmes da atenção com qualidade que os parceiros dão ao time e não a elas.
De fato, o futebol é uma ótima metáfora para falarmos sobre relacionamentos saudáveis e doentes.
Começando pelos doentes, primeiro falemos do fanatismo. Alguns torcedores fanáticos vivem em função do seu objeto de "amor" e se tornam pessoas terríveis na defesa de seu time. Criticam, debocham, ofendem e desqualificam o outro time e torcedores, sempre exaltando o seu. Em alguns casos são até agressivos e violentos, gerando brigas de massas no estádio ou fora dele. Alguns relacionamentos fanáticos também são assim: só existe o parceiro e mais ninguém, e este parceiro é alvo de todas as expectativas de felicidade. Se o parceiro frustra (o time perde) sempre será desqualificado, culpado, ofendido ou agredido (no futebol sempre há as figuras culpadas e criticadas, especialmente os juízes). Mas mesmo assim o fanático não desiste do seu objeto e segue apaixonado por ele, iniciando um novo ciclo de esperança – derrota – frustração, ou esperança – ganho do jogo – "felicidade".
Outro aspecto doente é quando os amantes do futebol investem muito na sua paixão, mas não investem nada ou quase nada na relação. Sempre conseguem ter o tempo de assistir o jogo, mas nunca têm tempo para conversar sobre a relação e investir nela. Por isso acontecem as intervenções ciumentas e inadequadas na hora sagrada do jogo.
Fico imaginando como as relações poderiam ser mais saudáveis se tivessem a dedicação que as pessoas têm com o futebol:
1.  Teriam "hora marcada" (jogo marcado, campeonatos existem sempre), com frequência garantida, para conversar sobre diversos assuntos importantes para a vida a dois;
2.  Expressariam seus sentimentos, sua paixão e entusiasmo verbalmente, em alto e bom tom (como fazem os torcedores que gritam quando tem gol);
3.  Expressariam e celebrariam sua alegria quando há uma conquista do indivíduo ou do relacionamento (como expressam alegria quando se ganha um campeonato);
4.    Conversariam com outras pessoas, avaliando os pontos positivos e negativos da relação (como conversam sobre o jogo e sobre os jogadores) em vistas de pensar numa melhor estratégia para lidarem com os próximos desafios.

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Infelizmente eu não consigo entender por que as pessoas investem tanto numa paixão esportiva e não fazem um décimo do esforço e dedicação por suas relações amorosas. Talvez seja porque a relação com o futebol é uma via de mão única, pelo menos no sentido de você não ter o futebol te cobrando ou criticando por suas faltas e ausências e nos relacionamentos isso sempre acontece, pois com o outro você tem um feedback, um retorno sobre sua postura na relação.
Mas se tentássemos aprender com essa relação torcedor-time, a construir uma relação com mais paixão, investimento e dedicação, com certeza os progressos seriam visíveis.
Participe do texto, deixando sua opinião nos comentários!
Adriana Freitas

Psicoterapeuta Sistêmica

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