sexta-feira, 16 de maio de 2014

TRAIÇÃO (parte 1) - TIPOS DE INFIDELIDADE

TRAIÇÃO

TIPOS DE INFIDELIDADE

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A traição é um tema que possui múltiplas facetas, abordarei neste primeiro post apenas os três principais tipos de traição: acidental, romântica e crônica.
Inicialmente, é importante que saibamos por que as pessoas se relacionam, se casam e mantêm suas relações ao longo do tempo. Os motivos sempre são diversos, mas dizem de objetivos e crenças mais profundos que cada indivíduo possui, e eles podem ser conscientes ou inconscientes, construídos nas suas histórias de origem.
Em toda relação, os parceiros têm objetivos em comum que os mantém juntos, os quais podem ser: valores, afeto, poder, trabalho, intelectual, religião, status, dinheiro, segredos, doença, patrimônio, filhos, medo, segurança, sobrevivência, dependência, raiva, vingança, beleza, negação da realidade, mentiras, sentimento de rejeição, etc.
Então, mesmo que o relacionamento já não seja satisfatório em diversos aspectos, mas atenda aos objetivos em comum que o indivíduo preza conscientemente ou necessita num nível de sobrevivência inconsciente, o ser humano é capaz de permanecer numa parceria ruim, ad infinitum. No entanto, acabará criando estratégias de fuga provisória, de suporte, de alívio, e a infidelidade é uma dessas estratégias.
Culturalmente e historicamente a traição masculina acontece muito mais que a feminina, apesar de na contemporaneidade esse quadro já não ser tão desigual quanto no passado. Mulheres têm traído e com lógicas iguais as masculinas. Assim, falarei dos tipos de infidelidade de forma generalizada. Para tal utilizarei os conceitos do livro “Encontros, Desencontros e Reencontros”, de Maria Helena Matarazzo*.
Infidelidade Acidental
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A maioria das primeiras traições acontece sem premeditação. Uma situação, um contexto, uma vulnerabilidade podem dar uma abertura para um momento propício.
Podem acontecer com homens e mulheres, mas os mais propensos são os que bebem, os que viajam, os que não estão bem casados e os que têm muitos amigos que saem para lugares “de risco”.
Os principais motivadores podem ser curiosidade, carência afetiva, jogo de sedução, onde os indivíduos se deixam levar pelo momento. Também nesse tipo de infidelidade, as pessoas encontram experiências que não têm no relacionamento principal, e acabam seduzidas pela nova vivência prazerosa.
Após a traição pode haver o arrependimento e a culpa ou o contrário, um gosto pela nova emoção. E são esses sentimentos que farão com que haja ou não continuidade na traição. Os culpados perceberão a traição como uma situação de alto risco, um perigo e não como amor, e tentarão conter seus próximos impulsos. Os que gostaram, se deixarão levar mais vezes pelo momento, se colocando mais vulneráveis.
Há ainda os que descobriram que podem viver melhores emoções com outras pessoas, que seus relacionamentos são ruins e decidem separar e encarar as novas oportunidades. Para esses indivíduos a infidelidade serviu como uma possibilidade de crescimento e mudança na medida em que conseguiram revisar e reavaliar suas vidas e redefinir seus objetivos e desejos vitais e realinhar suas ações com mais coerência.

Infidelidade Romântica
relacionamentos, traição, infidelidade, paixão, infiel, sedução, ilusão, objetivos em comumNesse tipo de infidelidade, o infiel acaba se apaixonando pelo novo parceiro, mas o pano de fundo emocional é uma crise pessoal do indivíduo, do relacionamento ou da família. Nesse estado vulnerável, também não está pronto para se separar do primeiro relacionamento. Na traição, não significa que o novo parceiro seja uma pessoa maravilhosa para se relacionar, o grande amor da vida, mas ele entra ou com uma emoção balsâmica ou estimulante gerando sensações como o efeito de drogas, ajudando o indivíduo traidor a se distrair de sua crise.
O amante romântico não ama o parceiro, ele ama o amor, ou seja, ele é viciado na emoção da paixão, e acaba não vinculando, nem com o parceiro “principal” nem com o da infidelidade. Fica na relação principal pelos objetivos em comum e fica na relação extra apenas enquanto a chama da paixão estiver acesa.
Dentro do perfil romântico existem dois grupos: os suaves ou parciais e os intensos. Os primeiros estão em relacionamentos, têm a vaga sensação de que algo está faltando e usam dos casos românticos como remédio caseiro contra depressão. Os do segundo grupo mergulham de cabeça com toda intensidade em seus casos de amor transformando o casamento em uma prisão da qual querem escapar a qualquer custo.
Parceiros de infidelidade romântica são infantilizados, uma vez que fogem de seus sentimentos, não se preocupam em compreendê-los, reavaliar sua vida, relacionamentos e mudar. Procuram na infidelidade uma função salvadora e com a mesma intensidade que o romance começou também acaba, instantaneamente.
As mulheres são muito comuns nesse grupo, uma vez que são seduzidas pela ilusão romântica da paixão, especialmente quando se encontram em relacionamentos onde não há um mínimo de intimidade, sexo, prazer e companheirismo, mas ainda estão presas em algum dos objetivos em comum.
Infidelidade Crônica
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Este tipo de infidelidade é aquele que acontece constantemente, onde os indivíduos pulam de um caso para o outro em curto período de tempo. Geralmente os homens são mais comuns nesse grupo, apesar do crescimento no número de mulheres, e se tornam cronicamente e compulsivamente infiéis mais numa necessidade de confirmação da própria masculinidade, canalizada na atividade sexual. São muitas vezes escravos da cultura machista, na sociedade e na família. A obsessão pelo sexo se torna a razão de viver, e não há limites para o que fazem em busca desse prazer.
No geral não há sentimento de culpa até mesmo porque o foco está voltado para a compulsão, e toda compulsão esconde uma enorme carência afetiva, que nenhum relacionamento é capaz de aplacar. Por isso a necessidade de diversos parceiros sexuais.
O aumento de mulheres nesse grupo reflete a inversão de papéis na sociedade contemporânea, com mulheres cada vez mais racionais e de lógica masculina. Mas existe um perfil de mulheres que se iludem nessa vivência sexual, mas quando se apaixonam, descobrem oculta sua busca de amor através do sexo.
Este tipo de infidelidade é característico de homens muito sedutores, conquistadores, envolventes e encantadores, que aproveitam qualquer chance de caça. O outro "parceiro" é usado apenas como objeto, pois a necessidade sexual constante impede o compromisso e a intimidade. Finge que busca uma mulher melhor mas no fundo nunca irá divorciar porque tem um conceito tradicional de família - mulher mãe e amélia em casa e puta fora de casa - onde dissocia a mulher em santa versus puta. Tampouco quer ter que encarar todas as dificuldades do processo de separação. Considera-se homem de sorte, pois teve todas as mulheres que quis, nunca se envolveu com nenhuma, nunca precisou revê-las e é admirado por todos os homens. E só há um erro imperdoável, um pecado mortal; ser apanhado em flagrante.
Homens e mulheres caçadores estão em busca de reconhecimento. É comum terem um pai com mesmo perfil, idealizado, serem identificados com ele e repetirem seus padrões nessa busca de serem vistos.
Qual seu tipo de perfil traidor? E o tipo de perfil das traições que já sofreu?

De fato, a infidelidade de qualquer tipo pode ser altamente destruidora como também pode servir como possibilidade de mudança e crescimento, dos indivíduos e/ou das relações. Vai depender de como o indivíduo encara a infidelidade: se com vitimização ou se com responsabilização. Apenas na segunda postura há uma reavaliação de si mesmo na relação e na vida, onde o indivíduo assume os seus 50% de contribuição para a relação e toma atitudes ou de sair da relação ruim ou de ajudar a melhorá-la.

Veja a parte 2 do tema Traição!

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Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

* Conferir Referência Completa
Figuras
1 – http://artodyssey1.blogspot.pt/2013/06/octavio-sousa-e-silva.html
2, 3 e 4 - retiradas do google
5 – http://artodyssey1.blogspot.pt/2014/02/rigo-peralta.html


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2 comentários:

  1. Adriana, sabe como adoro ler os seus textos. Este, em particular, confesso que achei mais didático e teórico do que real. Me parece que as classificações de infidelidade restringem muito a vivência pessoal. Acredito também que existem aquelas pessoas onde a vida acaba propiciando um "encontro" verdadeiro, onde haja um amor benéfico, quando nem se quer esperavam por isso. Também penso que essas pessoas quando rotuladas de traidoras são fadadas a um julgamento de valor num nível moralista e pejorativo, o que banaliza a experiência do encontro. Lembra do filme "A Letra Escarlate" com Demi Moore? Ele trata um pouco disso que estou falando. Existem filmes para incontáveis tipos de infidelidade, desde o Filme "Infidelidade" com Richard Gere, que é trágico e moralista até o Filme "Minha vida sem mim", onde a protagonista só encontra o amor quando está prestes a morrer. E percebe que esse seria o grande sentido pra continuar. Não ouso, de forma alguma, criticar o presente texto, é só uma reflexãozinha que fiz aqui comigo, uma vez que em nossos consultórios também estamos às voltas com as diferentes faces da experiência amorosa. um beijo grande.

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    1. Olá Renata, apesar desse texto ser mais didático e teórico sim, não acho que deixe de ser real. Com certeza a experiência pessoal dos indivíduos e casais que traem e são traídos são muito mais complexas do que se possa abordar num pequeno texto como este. Como comentado do início do texto, o tema é complexo e possui múltiplas facetas. Não me detive em definições específicas de conceitos, por isso utilizei termos de vocabulário popular, sem intenção de julgamento.
      O que acho importante pensar é que a experiência da infidelidade pode ser uma oportunidade mudança, crescimento e encontro amoroso, mas em certos tipos de infidelidade, existem questões mais profundas, individuais, familiares e culturais que, infelizmente, favorecem mais a estagnação e a manutenção da doença dos casais e dos indivíduos. Obrigada por sua contribuição. Abraços, Adriana

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