sexta-feira, 11 de abril de 2014

SEXUALIDADE MASCULINA - INTERDIÇÕES DA CULTURA

SEXUALIDADE MASCULINA

INTERDIÇÕES DA CULTURA 

relacionamentos, sexualidade, masculino, homem, cultura, feminismo, crise masculino

Quando falamos de movimento feminista, destacamos as mudanças alcançadas pela busca  das  mulheres  em relação ao papel cultural feminino, mas muitas vezes faremos uma leitura reduzida se não avaliarmos também a força cultural sobre os homens e suas definições de papéis.
A cultura e tão determinante para os homens quanto o é para as mulheres. Se hoje temos um masculino da forma como se apresenta, com certeza a força cultural, juntamente com a familiar reiterando a primeira, têm grande parcela no reforçamento dos papéis e comportamentos ditos masculinos. Podemos dizer que nós, mulheres e homens, repetimos inconscientemente os ditames culturais, até que tenhamos consciência crítica sobre os mesmos.
Segundo João  Silvério Trevisan em seu livro "Seis balas num buraco só - a crise do masculino", a masculinidade está em crise, uma vez que os aspectos que a garantiam no passado estão falidos ou em processo de falência. As transformações históricas que inviabilizaram a manutenção do mito masculino incluem as conquistas do movimento feminista com a consequente decadência do patriarcado.
Sem conhecer ainda um modelo adequado, muitos homens recorrem a violência social e intrafamiliar, numa tentativa de autoafirmação contra sua insegurança de base. Por outro lado, podem tentar encontrar formas de  compensação para suas frágeis  estruturas internas numa  busca estruturação a partir de elementos exteriores. Nesse contexto, três saídas divergentes se destacam: o  trabalho obsessivo - workaholic - para ter reconhecimento externo através do trabalho e do dinheiro; as academias de ginástica,  com foco na construção corporal externa - body building - para compensar uma falha interna; e a sedução don-juanesca, com uma fixação na sexualidade sem admitir compromissos afetivos.

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Culturalmente, a feminilidade acontece naturalmente, apenas com o amadurecimento corporal para a procriação. Já a masculinidade será construída num espaço social e político, onde é demandado ao homem que prove sua masculinidade.
Dessa forma, um dos aspectos mais cobrados ao homem heterossexual para comprovar sua masculinidade tem a ver com sua sexualidade. Ele tem que ser o "pegador" e o "comedor". É cobrado dele que deseje qualquer mulher que se lhe ofereça. E quando ele não quer, ou  tem que fazer de conta ou sua masculinidade será colocada em questão. Tal pensamento machista advém tanto dos homens quanto das mulheres. Já vi mulheres chamarem homens de gays quando são rejeitadas.
Trevisan também fala de uma construção da masculinidade em oposição ao feminino e consequentemente um medo da homossexualidade, sendo necessário ter pensamentos, sentimentos e comportamentos diferentes das mulheres para provar que é macho. Dessa forma, ser homem é restringir-se, conter e cortar seus "impulsos" femininos, o que limita profundamente as vivências afetivas e o sentir do homem.
Para o homem homossexual assumido que já se aceitou internamente, como já passaram por esse questionamento da masculinidade e já integraram o aspecto feminino de sua personalidade, muitas vezes não ficam presos a necessidade de provar que são homens. Mas quando ainda não se aceitaram, podem ficar compulsivos sexualmente, compulsivos no trabalho, e colocar uma máscara e uma armadura para se esconderem ainda na tentativa de se afirmarem como homens na perspectiva machista cultural.
Ter que provar sua masculinidade via sexo é um grande aprisionamento para o homem e prejudica sua liberdade de expressão, sua busca de prazer e seus relacionamentos amorosos.
Para este homem aprisionado, o pênis se torna um foco importante, e o seu  tamanho se torna uma problemática considerável. É comum homens com tamanho peniano menos avantajado criarem estratégias compensatórias para sua masculinidade comprometida, utilizando das chamadas extensões fálicas como  por exemplo armas e violência, dinheiro, carros ou  motos - grandes ou caríssimos - e corpos malhadíssimos, esportes radicais, fanatismo por futebol, etc. Extensões estas que não resolvem sua insegurança nem garantem sua masculinidade, servindo apenas de máscaras provisórias e ilusórias.
relacionamentos, sexualidade, masculino, homem, cultura, feminismo, crise masculinoOu seja, nenhuma dessas estratégias soluciona a baixa autoestima desses indivíduos, tampouco lhes proporciona uma sexualidade prazerosa e saudável. Nas relações amorosas, o sexo será vivido de forma compulsiva ou insegura, limitado a genitalidade e apresentando disfunções sexuais, com comprometimento da intimidade, da afetividade e da possibilidade de uma conexão mais profunda com a parceira ou parceiro.
É necessário que o homem abandone a dicotomia aprisionante de ser homem  versus ser mulher, integrando o feminino como parte saudável de si mesmo. Enquanto o homem não se questionar a respeito de seu conceito de ser homem, de sua escravidão cultural, seus modelos masculinos familiares (em outro texto abordarei as questões paternas e maternas na construção da masculinidade), e decidir mudá-los, estará fadado a viver um masculino limitado, aprisionado em frágeis estruturas externas. 
Psicoterapeuta Sistêmica em BH


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