sexta-feira, 25 de abril de 2014

CONCEITO DE AMOR - APRENDIZADOS FAMILIARES SOBRE AMAR E SER AMADO

CONCEITO DE AMOR

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APRENDIZADOS FAMILIARES SOBRE AMAR E SER AMADO

A frase da imagem acima é do do artista Pedro Gabriel Anhorn, retirada do seu site "Eu me chamo Antônio", que possui livro de mesmo nome. "Todo amor é bonito, feio é não amar". Escolhi esta frase para iniciar este post, colocando-a em questão: será que todo amor é bonito mesmo? Não existiria amores feios também? E a possibilidade de não amar existe? Ou cada pessoa "amaria" de um jeito seu, mesmo que não parecesse amor?
O que gostaria de ressaltar é que existe um conceito de amor por trás dessa frase, mas que não necessariamente será coletivo. Cada indivíduo possui seu próprio conceito e ama de acordo com o mesmo, existindo amores "bonitos e feios", saudáveis e doentes.
Por que é importante saber qual nosso conceito de amor? Porque temos uma tendência a repetir nos relacionamentos amorosos o mesmo conceito aprendido na nossa história de origem. E muitas vezes estamos presos em relações ruins, inconscientemente aceitando o padrão antigo, sem saber por que ficamos nem como sair. Somente a conscientização, o conhecimento de como e o que aprendemos sobre o  amar e ser amado, pode nos dar a chance de fazer novas escolhas.
conceito de amor, família, amar, ser amado, feridas infantis, cuidar de siNossa primeira escola amorosa é a família.  Nela aprendemos a maioria dos conceitos básicos gerais da vida, que levaremos conosco até nossa morte. Esse aprendizado, na maioria das vezes se dá pela vivência, não sendo necessariamente ensinado de forma consciente, e se torna normativo, pois a criança não tem crítica para questioná-lo ainda.  As famílias vivem suas próprias regras como sendo o que é normal, rejeitando ou punindo o que é fora dos seus padrões. Assim, aprendemos que para sermos amados precisamos corresponder as expectativas familiares, repetindo e respeitando suas próprias leis explícitas ou ocultas.
Tudo o que aprendemos sobre o amor tem a ver com o que enxergamos, vivenciamos e sentimos nas relações familiares através de nossos pais com sua origem e como casal, de nossa relação com cada um dos pais, e nossas relações fraternas. Como adultos imaturos, os pais têm atitudes que deixam mágoas, ressentimentos, traumas, decepções e necessidades não satisfeitas na vida dos filhos, que são difíceis de serem questionadas, especialmente em famílias onde a parentalidade é considerada sagrada por si só. Também é difícil questionar a paternagem ou maternagem dos pais quando eles sempre estiveram presentes fisicamente, mas não emocionalmente. Dessa maneira, os indivíduos acabam não elaborando as feridas infantis e carregando-as pesadamente na vida adulta.

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Enfrentar, encarar e admitir todos os sentimentos escondidos do passado é parte importantíssima da possibilidade de mudança. Tire um pequeno tempinho e avalie, colocando num papel, quais foram as principais emoções que você viveu em suas relações de origem. E quais dessas emoções você está vivendo novamente no seu relacionamento amoroso atual ou em relacionamentos que teve no passado.
Podemos estar repetindo emoções de raiva, abandono, infantilização, ciúmes,  traição, possessividade, violência, agressividade, competição, distanciamento, abuso, etc. Uma vez ouvi um caso que uma senhora foi denunciar o marido na delegacia de mulheres porque “ele estava batendo em outra safada”, ou seja, o conceito de amor dela incluía a violência, mas não a traição. E infelizmente isso acontece na vida de muitas pessoas, que possuem uma ideia de amor ligada a sentimentos dolorosos muito mais do que a sentimentos afetivos e respeitosos.
conceito de amor, família, amar, ser amado, feridas infantis, cuidar de siE por que repetimos* as mesmas emoções do passado no presente, se conhecemos a dor dessas emoções? Porque projetamos nos relacionamentos amorosos a possibilidade de recriar a ferida infantil na tentativa de consertá-la, corrigi-la. Ou seja, escolhemos inconscientemente um parceiro que nos proporcionará a mesma emoção familiar original, pois a criança dentro de nós não aceita a derrota e tampouco consegue compreender, aceitar, perdoar e abandonar o passado. Assim, o adulto-infantil desenvolve uma compulsão por recriar as condições semelhantes do passado para vencer e controlar ao invés de ser controlado, acreditando que terá mais condições de mudar o sentimento do outro, conseguindo o amor tão sonhado.
Como você pode imaginar essa estratégia não dá certo e é de fato altamente destrutiva. A derrota é uma ilusão e a possibilidade de ser vitorioso agora também.  Primeiro porque o amor perdido da  origem se tornou uma fantasia mirabolante e nunca será resgatado de acordo com a  falta infantil que existe  no adulto. Segundo porque ainda é uma busca de suprir carências infantis, e não uma construção amorosa adulta, é a busca do pai e mãe externos e não uma transformação interna para ser pai e mãe de si mesmos, ficando ainda numa perspectiva infantil. Terceiro porque você entra numa relação querendo mudar o outro para atender suas expectativas e necessidades infantis e com certeza ele resistirá ao seu controle manipulativo, ou por teimosia ou por autopreservação, além do que o desejo de mudança tem que ser interno e não através da cobrança do parceiro. Entrar numa relação já desejando a mudança do outro é não relacionar-se com o outro e sim com suas próprias expectativas, negar a realidade tentando viver sua própria fantasia. Consequentemente, obstruímos nossa felicidade futura nesse ciclo vicioso inútil de reprodução e tentativa de controle do passado.
conceito de amor, família, amar, ser amado, feridas infantis, cuidar de siParar de recriar o passado é uma tarefa hercúlea. Além de manter sua consciência alerta para aprender a se perceber e interromper a recriação, é necessário cuidar de suas necessidades infantis e atuais, deixando de esperar que outro alguém o faça e perdoando as falhas parentais, demasiadamente humanas, de origem. É preciso avaliar constantemente suas ações e reações nos relacionamentos a luz dessa nova consciência, colocando-se limite ou se dando colo quando necessário.
O amor maduro acontecerá quando o indivíduo saiu da expectativa infantil de ser amado pelo outro e passou a buscar formas de amar a si mesmo, de cuidar de si. O amor por si está ligado a busca de coerência interna, aquela sintonia entre razão, pensamento e sentimento. Somente assim terá condições de entrar numa relação para oferecer amor ao invés de esperá-lo. E como diz a singela frase na oração de São Francisco: “É dando que se recebe”.

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH


* Conferir referência utilizada.
Figuras

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