segunda-feira, 17 de março de 2014

COMUNICAÇÃO NOS RELACIONAMENTOS

COMUNICAÇÃO NOS RELACIONAMENTOS

 CURSO ORATÓRIA E ESCUTATÓRIA PARA CASAIS OU ARTE DE FALAR E ARTE DE OUVIR


relacionamentos, comunicação, oratória, escutatória, arte de falar, arte de ouvir.

A palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a ouve.

A comunicação é um dos problemas mais básicos e comuns de todas as relações.
Sempre entramos nas relações esperando que o outro nos faça feliz, mas não informamos quais nossos parâmetros de felicidade.
O contrato inconsciente dos casais reza que cada parceiro será responsável por realizar as  fantasias mais loucas um do outro, mas esse outro tem que adivinhar, e caso não adivinhe, isso será considerado desamor. Pincus e Dare descrevem o contrato inconsciente da seguinte maneira:
“Eu tentarei ser algumas das coisas mais importantes que você quer de mim, ainda que algumas delas sejam impossíveis, contraditórias e loucas, desde que você seja para mim algumas das coisas impossíveis, contraditórias e loucas que eu quero que você seja. Não precisamos contar um ao outro o que essas coisas são, mas ficaremos zangados, aborrecidos ou deprimidos se não formos fiéis a isso”.
Qual a possibilidade desse contrato dar certo? Talvez somente durante a paixão, mas de forma fantasiosa e não realista, pois durante essa fase, o encantamento deixa os amantes muito servidores e cegos. Com o tempo, a falência desse contrato vem a tona de forma avassaladora, demandando que o casal rompa o relacionamento ou faça outro contrato com bases mais conscientes, consistentes e realistas.
Não saber falar e não saber ouvir são problemas frequentes do antigo contrato inconsciente do casal. Na construção do novo contrato, os parceiros precisarão investir no processo de comunicação de suas necessidades, entre outras tarefas que não irei abordar neste post.
Na crônica “Escutatória” de Rubem Alves, ele diz: “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular”. Inspirada pelo querido autor, e acreditando que os cursos de oratória oferecidos são insatisfatórios no quesito relacionamentos, decidi escrever três princípios básicos sobre ambos cursos, mesmo que ninguém queira se “matricular”.

Curso de Oratória para Casais
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1. Aprender a falar numa posição do eu
Cada parceiro do casal costuma falar acusando o outro do que ele fez ou deixou de fazer. A acusação ou culpabilização do outro incita imediatamente o levantamento da muralha da defesa, dificultando ou impedindo que a boa comunicação aconteça. 
Para falar de uma posição do eu, cada indivíduo precisa, antes de tudo, aprender a identificar seus sentimentos, o que é uma tarefa bem difícil, pois não fomos educados para tal. Muito pelo  contrário, fomos ensinados a engolir e esconder nossos sentimentos, principalmente os considerados feios. O problema é que quando os sentimentos chegam no auge da repressão, eles encontram formas inadequadas de expressão, ferindo o próprio indivíduo e o outro. 
Assim, para ajudar a identificar seus sentimentos, segue uma lista deles: 
Com raiva, triste, sozinho, com saudade, com medo, alegre, magoado, rancoroso, ressentido, amargurado, inseguro, com ódio, cansado, abandonado, rejeitado, apavorado, corajoso, confuso, orgulhoso, amado ou não amado, enganado, miserável, furioso, nervoso, ignorado, excitado, aborrecido, especial, feliz, importante, vazio, enojado, enciumado, envergonhado, embaraçado, frustrado, vingativo, desapontado, culpado, preocupado, etc.
Identificado seu sentimento, você tem mais condição de falar para o outro sobre ele, mas assumindo-o como seu, a partir do que o outro fez. Deve-se ter cuidado em como se fala para não culpar o outro pelo seu sentimento, pois assim ele continuará com sua defesa.

relacionamentos, comunicação, oratória, escutatória, arte de falar, arte de ouvir.2. Aprender a falar com amor
Não é possível falar com amor quando se está com raiva. Se for necessário, aguarde a raiva passar para ter uma conversa com seu parceiro. A raiva pode ser um bom motor para que o indivíduo se movimente e não fique paralisado em situações abusivas, mas pode incitar cobranças e vinganças inadequadas em determinados momentos.
Falar com amor significa ter uma intenção de ser compreendido pelo parceiro para que ambos cresçam com a conversa e não uma intenção de vingança, punição e destruição do outro.
Portanto é necessário ter um cuidado com as palavras, com a emoção dessa conversa e com a escolha do momento adequado para que o diálogo aconteça. Escolher conversar num momento inoportuno para o outro – ex.: horário do futebol ou novela – pode representar um prévio boicote a conversação.

3. Expressar suas necessidades e desejos com clareza
Como somos impregnados pelo contrato inconsciente do relacionamento, criamos a expectativa de que o parceiro adivinhe nossos desejos de antemão, e por isso não nos dedicamos a explicar claramente o que queremos.
No geral, as mulheres têm o péssimo hábito de falar de forma indireta, linguagem esta que não é traduzida adequadamente pelo cérebro masculino, que funciona de forma mais linear. O cérebro feminino funciona mais de forma circular e recursiva, dificultando assim a compreensão mútua. Ambos parceiros precisam fazer um esforço cognitivo para transpor estes vícios de linguagem.
O que piora a situação é que muitas vezes o próprio indivíduo não sabe claramente o que deseja, e fica esperando que o outro cuide dele, inclusive adivinhando suas necessidades. Essa expectativa infantil prejudica a comunicação no relacionamento, tirando a responsabilidade de si e projetando-a no parceiro.


Curso de Escutatória  para Casais
relacionamentos, comunicação, oratória, escutatória, arte de falar, arte de ouvir.

1. Ouvindo sem levantar muralhas
A arte da escuta se  torna sempre mais difícil quando o que ouço são reclamações, cobranças e culpabilizações. A tendência defensiva de todo ser humano é criar uma muralha protetora ou armar-se e defender-se atacando. 
Supondo que seu parceiro ainda não tenha passado pelo curso de oratória, e ainda fale com culpabilizações, escutá-lo será um desafio de tradução. Será necessário, primeiramente, não se identificar com a culpa recebida. Quando seu parceiro acusa, na verdade ele esta falando das necessidades não atendidas dele, das carências dele. Enxergar as necessidades do outro, não pegando culpas para si mesmo é a grande chance de não se levantar sua muralha defensiva.
Num relacionamento que busca saúde, você pode tentar ajudar seu parceiro a traduzir suas acusações em necessidades essenciais dele, e aí sim decidir se pode ajudá-lo ou não.
Se você também está conectado com seu crescimento, pode avaliar se o que o parceiro está dizendo a seu respeito é algo que de fato você precisa melhorar e se for, pergunte a si mesmo como pode mudar o que precisa ser transformado.
Um problema de relacionamentos já desgastados é quando a escuta já está impregnada por juízos de valor. Se você já previamente julga seu parceiro, antes mesmo dele lhe comunicar o que deseja, a muralha já foi levantada.
Outra forma de agigantar a muralha é quando existe uma desqualificação prévia da comunicação do parceiro. Isso acontece com ouvintes arrogantes, que se acham melhores que o outro, só enxergam o próprio umbigo e não valorizam nem validam o companheiro. No fundo são pessoas inseguras que se escondem atrás de uma falsa postura de poder, pois precisam diminuir o outro para se sentirem grandes.
Dessa forma, os julgadores e os arrogantes precisam reconhecer suas defesas, enfrentá-las e minimizá-las caso queiram melhorar sua escuta e seus relacionamentos.

2. Aprendendo a traduzir o que se ouve
A arte da escuta implica aprender a ler nas entrelinhas da fala. E ler nas entrelinhas significa também buscar compreender os sentimentos do outro, sendo por isso muito importante saber compreender os próprios sentimentos.
relacionamentos, comunicação, oratória, escutatória, arte de falar, arte de ouvir.Outro aspecto da tradução é observar a linguagem não verbal do falante. O conteúdo da fala pode ser completamente diferente do comportamento e da emoção do falante. Naturalmente isso gera uma confusão no ouvinte, e este deve buscar interagir com o outro visando clarear o que ele realmente quer dizer.
No processo de comunicação, uma boa escuta não significa uma escuta passiva, mas uma escuta interativa, onde o ouvinte está por inteiro naquele contexto conversacional e se mostra interessado não apenas em ouvir, mas em compreender o que o falante quer dizer. Portanto, em alguns momentos precisará ter a humildade de pedir esclarecimentos ou perguntar para o outro se está entendendo adequadamente.

3. Acolher sem querer dar resoluções
Para escutar bem, precisamos acolher o nosso parceiro. E para acolher bem, é necessário inicialmente criar um bom ambiente para a conversa. Um ambiente com muitos estímulos externos gera uma distração na comunicação, que se torna sem qualidade.
Além do ambiente, para estabelecer um diálogo com qualidade de presença, é necessário que haja uma disponibilidade corporal de ambos parceiros, com proximidade corporal, posicionamento frente a frente e contato visual. Se não me engano, foi no livro da Sobonfu Somé, “O espírito da intimidade”, que li que em sua cultura africana, os parceiros conversam as coisas mais difíceis de costas um para o outro e as coisas mais fáceis de frente. De qualquer maneira, o casal precisa encontrar as melhores maneiras de se comunicar de forma respeitosa e amorosa.
E uma característica do aspecto masculino, no homem ou na mulher, é a tentativa de ajudar o outro mostrando o que deve ou não fazer mediante seu problema, ou seja, dar uma solução. No entanto precisamos perguntar para o ouvinte se ele quer apenas ser ouvido ou se ele quer nossa opinião sobre seu assunto, respeitando em seguida, a escolha e desejo do outro.

Bem, acredito que este assunto não se esgota nesses princípios básicos, mas espero que eles possam contribuir para suas reflexões a respeito do falar e do ouvir e possam melhorar sua qualidade comunicacional em seu relacionamento.
relacionamentos, comunicação, oratória, escutatória, arte de falar, arte de ouvir.
"A natureza nos deu uma língua e dois ouvidos, para que ouçamos duas vezes mais do que falamos."
DiogenesLaertius, Historiador grego, 200-250

Adriana Freitas

Psicoterapeuta Sistêmica em BH

Referências das Imagens:
6. http://www.veg11.com.br/site/cuide-do-seu-falar


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