sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

SOBRE CARÊNCIA AFETIVA E RELAÇÕES DEPENDENTES

SOBRE CARÊNCIA AFETIVA E RELAÇÕES DEPENDENTES

relacionamento, carência, dependência, aprisionamento, vício de amar, conceito de amor, modelos de casal, religião, cultura

Quando você não aprendeu a cuidar de si mesmo*, suas carências afetivas serão feridas abertas gritando por socorro. Assim, é grande a possibilidade de você passar boa parte da vida buscando pessoas e relações onde se sinta cuidado. Se já estiver numa relação, você se ressentirá com seu parceiro quando ele não realizar seus desejos e necessidades, e fará cobranças exigindo o que acha ser demonstração de amor. As reações mais comuns nos parceiros cobrados são o distanciamento ou a disputa de poder. Ambas podendo se transformar em ciclos viciosos destruidores: o vício de amar. Assim começam a se estruturar as relações dependentes.
Avalie:
1.    Você fica esperando a boa vontade de seu(sua) parceiro(a) para juntos realizarem o que você deseja?
2.    Você não consegue ou não tem permissão para fazer atividades de lazer sem o(a) parceiro(a)? Não tem permissão pra ter um espaço ou vivências que sejam só suas, individuais?
3.    Você fica ressentido ou com raiva quando o(a) parceiro(a) não quer fazer o que você deseja, mas também não procura nenhum outro jeito de realizar suas vontades?
4.    Você tem a crença de que o casamento, a relação tem que preencher todas suas necessidades e que tudo tem que ser feito com o(a) parceiro(a), que só se for com ele(a) será bom?
5.    Você ou vocês não possuem amigos, não saem individualmente com eles ou só saem com outros amigos casais?
Se a resposta for sim pra maioria das perguntas, vocês têm uma relação dependente.
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Quais são os piores problemas de uma relação dependente?
1.    As expectativas em cima do(a) parceiro(a) são altíssimas uma vez que só ele(a) é responsável por realizar seus desejos;
2.    As frustrações também são altíssimas quando o outro diz não;
3.    Quando os desejos não são realizados os débitos aumentam e junto com eles a raiva, podendo gerar jogos emocionais de punição e vingança, aumentando a hostilidade do casal;
4.    Os indivíduos são inseguros, não confiam no parceiro (porque na verdade não confiam em si mesmos e têm muito medo de serem abandonados) e tentam controlá-lo(a) controlando com quem eles se relacionam;
5.    Os parceiros têm muita dificuldade de enxergar a realidade, o(a) parceiro(a) real, humano, com qualidades e defeitos, ficando sempre na fantasia e na espera do príncipe ou princesa encantados.

Relações assim geram aprisionamento e dependência dos dois lados, mesmo quando parece que o lado que foge e é mais distante esteja mais bem resolvido. E as insatisfações só aumentam. A possibilidade de sair desse ciclo vicioso dependerá de algumas escolhas dos indivíduos e dos casais.
Comece questionando como você aprendeu a se relacionar, observando os modelos de relacionamento dos seus pais ou responsáveis e de sua família. É na família que aprendemos nosso primeiro conceito de amor e de ser casal. Temos uma tendência de repetir nos relacionamentos amorosos três dinâmicas conhecidas: a nossa relação com o pai, a nossa relação com a mãe ou a dinâmica da relação dos nossos pais. Uma dinâmica um pouco menos frequente, mas que também se repete é a da nossa relação com um de nossos irmãos.
Depois observe qual o conceito de homem e mulher rege a cultura de onde vocês vivem, e como esses conceitos estão arraigados no seu relacionamento. O machismo ainda é muito forte em nossa cultura apesar da força crescente do feminismo. Isso faz com que as pessoas assumam comportamentos que são esperados para seu gênero, sendo isso refletido em relacionamentos dependentes.
A religião também favorece na construção de casais dependentes uma vez que no próprio discurso do casamento há a premissa de que “dois se transformam em um”. Percebemos também uma exaltação da família colocada num lugar de sagrado e raramente se fala na preservação dos vínculos de amizade.
relacionamento, carência, dependência, aprisionamento, vício de amar, conceito de amor, modelos de casal, religião, culturaUm casal saudável precisa ter alguns espaços preservados, como o espaço do indivíduo (sozinho, trabalho e amigos), do casal (lazer só os dois e com amigos e realização de projetos em comum), da família (família de origem e filhos). Conversem e negociem a respeito de como podem dividir esses espaços e principalmente ajudem um ao outro realizar seus desejos. Reconheça que nem sempre você estará disponível para o(a) parceiro(a) mas que ele(a) merece ter seus desejos realizados e vice-versa.
Ter contato e manter amizade com outras pessoas é extremamente saudável. Os parceiros não são capazes de suprir todas as necessidades um do outro em todos os momentos da vida a dois. Tem necessidades que um amigo pode atender muito melhor do que os parceiros. E quando já existem os filhos, a família de origem pode ser uma fonte de apoio e assistência.
O importante é que cada um se responsabilize pelas próprias necessidades. Esta é a melhor forma de cuidar das próprias carências. Sem a carência dependente no meio da relação, quando o parceiro puder compartilhar seus desejos, será um encontro bem agradável. Se você gosta de cinema e seu parceiro não, convide um amigo ou vá sozinho. Se seu parceiro gosta de futebol e você não, vá ler um livro ou fazer compras enquanto o jogo acontece. Se você gosta de viajar e seu parceiro não está sempre disponível, vá sozinho ou convide alguém. Mas não deixe sua lista de coisas desejadas e não vividas se acumular a ponto de criar uma montanha de lixo tóxico no meio do casal.


* Confira o texto do blog que aborda o como cuidar de si mesmo: 

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH


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6 comentários:

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    1. Eu que te agradeço Márcia, por acompanhar o comentar aqui no blog! Abraços, Adriana

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  2. IMPORTANTE PENSAR QUE ANTES DE SE RELACIONAR COM O OUTRO, VOCÊ DEVE PREZAR E ESTIMAR A SUA RELAÇÃO CONSIGO MESMO. PARABÉNS PELO TEXTO!

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    1. Obrigada pelo comentário Matheus. A relação consigo mesmo é de fundamental importância e deve, ou deveria, estar na base de toda construção amorosa. O problema é quando passamos a buscar no outro esse cuidado, que é nossa responsabilidade. Aprender a cuidar de si mesmo é uma grande tarefa vital. Um abraço, Adriana

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  3. Oi Adriana,
    Estou adorando os textos.
    Obrigada por compartilhar.
    Um abraço, Janne Kerle

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    1. Oi Janne, fico feliz com seu retorno! Obrigada por acompanhar o blog! Abraços, Adriana

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