quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O AMOR E OS FILHOS JÁ CHEGARAM, CUIDANDO DE SI NESSA ETAPA

O AMOR E OS FILHOS JÁ CHEGARAM, CUIDANDO DE SI NESSA ETAPA

Logo após a publicação do post “Enquanto o amor não vem, aprenda a cuidar das suas necessidades”, uma das minhas leitoras queridas me respondeu mais ou menos o seguinte: “E quando o amor e os pimpolhos já chegaram, como cuidar de si?” Este post é dedicado a respondê-la e uma forma de agradecimento por sua contribuição.
Algumas de minhas amigas casadas costumam comentar que de vez em quando elas ficam com inveja da minha solteirice que me permite certas liberdades de ir e vir quando quiser, onde quiser, já que elas não podem ou não se dão permissão para fazer certas coisas que gostariam.
relacionamentos, cuidar de si, tempo, organização, limite, disciplina, flexibilidade, dialogar, negociar, redes de apoioDe fato, quando parceiros e filhos já chegaram, as tarefas, compromissos e responsabilidades são muito maiores e mais numerosos. Ambos requerem muita atenção e dedicação e realmente é muito difícil achar um tempinho pra cuidar de si mesmo nesse contexto.
Se você possui um casamento onde os papéis de homem e mulher estão baseados no patriarcado tradicional, certamente a mulher estará com uma sobrecarga muito maior do que o homem, cuidando de casa, filhos, marido e ainda trabalhando fora, e possivelmente sustentando com seu salário toda a família. Note que, mesmo vivendo numa perspectiva do patriarcado tradicional, houve essa brecha de abrir para as mulheres trabalharem, o que foi diferente no início do século passado. Nesses tipos de casamento, definitivamente as mulheres não terão, ou terão um espaço mínimo (como uma gota d’água no oceano – sem exageros) para cuidarem de si, de vez em quando. Os homens tem seu “espaço garantido”, mas nem sempre com a proposta de cuidar de si mesmo, muitas vezes se tornam meninos carentes demandando e competindo pela atenção das mulheres, ou se entorpecem no álcool com seus grupos de amigos de bar já que as mulheres não têm tempo para eles, ou se entorpecem no trabalho tornando-se workaholics.
Estando nesse tipo de casamento, muitas e muitas coisas precisam mudar (desenvolverei mais este assunto em outras futuras postagens) para que haja espaço de qualidade para o cuidado pessoal, e a primeira mudança deve acontecer nas raízes de suas principais crenças sobre os relacionamentos e sobre os papéis familiares e sociais de homens e mulheres.
Por outro lado, se você possui um casamento numa proposta mais contemporânea pós revolução feminista, mas não aquele feminismo que desqualifica os homens e sim um feminismo que avalia as forças culturais na definição de ambos os papéis, masculinos e femininos, então sua relação é mais promissora para a construção do espaço de cuidado pessoal. Nesta perspectiva, homens e mulheres dividem todas as responsabilidades relativas a casa, casamento e filhos, o que não gera sobrecarga definitiva para um lado só. Digo definitiva porque determinados momentos o peso pode estar de um lado mas em outros estará do outro lado numa alternância dinâmica entre os parceiros, não numa rigidez de papéis e funções que também seria adoecedora. Nestes casos, e para a vida no geral, a fluidez dinâmica é o sinônimo da saúde.
Mesmo considerando a proposta contemporânea, alguns requisitos serão necessários para sobrar aquele tempinho para o cuidado consigo. Gostaria de destacar quatro deles: organização, organização, disciplina e disciplina! rs. É isso mesmo! Vale a brincadeira, mas organização e disciplina são qualidades totalmente necessárias para que um casal com filhos consiga atender as necessidades familiares, do casal e pessoais.
Estou considerando que este casal contemporâneo já aprendeu a dialogar e negociar as demandas familiares, sem entrar em jogos de disputa ou dependência, e desqualificação um do outro. Ou seja, esses dois itens também são fundamentais para qualquer relacionamento que preze por atender as necessidades de cuidado pessoal.
relacionamentos, cuidar de si, tempo, organização, limite, disciplina, flexibilidade, dialogar, negociar, redes de apoioVoltemos aos itens anteriores. A organização significa que o casal deverá tirar um momento da sua semana para dividir as tarefas, se possível colocá-las num papel que possa ser visto por ambos facilmente. Nessa organização deverão dividir o tempo entre: cuidados com a casa (faxina, pagar contas, organização diária, etc.); cuidado com os filhos (quem toma conta em qual horário do dia, quem leva e busca na escola e quem ensina as tarefas), trabalho de ambos, momento do casal sozinho ou com amigos, momento de cada indivíduo com seus amigos (confiram o texto O Clube da Luluzinha e o Clube do Bolinha), e momentos de cuidados individuais.
É saudável quando o casal divide as tarefas por afinidade e por habilidade. Se cada um puder assumir a responsabilidade do que gosta mais, melhor, pois será mais fácil manter o compromisso assumido. Se ambos não gostarem de determinada tarefa, devem revezá-la ou contratar um serviço profissional.
Depois de definida a lista de tarefas do casal, precisamos enfatizar a necessidade da disciplina. Estou considerando aqui que a disciplina inclui em primeiro lugar o limite, consigo mesmo e com o outro e em segundo lugar o esforço para manter o compromisso assumido. Deixar de fazer o que assumiu esperando que as coisas se resolvam magicamente ou que o peso caia no outro parceiro significa que ainda existem expectativas infantis e que esta pessoa ainda não se tornou adulta.
No que se refere ao limite com o outro, especialmente com as crianças, é necessário que o casal faça cumprir as regras da casa, inclusive as regras de horários da rotina. As crianças testam os adultos o tempo todo e nesta questão de horários é onde eles são mais reprovados. Geralmente os pais que se sentem culpados porque não têm tempo de qualidade com os filhos, acabam permitindo saídas frequentes da rotina, numa tentativa de compensação para sua ausência física e emocional. Acreditem: tentativas de compensação não funcionam! Somente a melhoria da qualidade da presença com a criança é que suprirá suas verdadeiras necessidades e deixará o adulto livre de sua culpa.
Mesmo depois de estabelecidos organização e disciplina, precisamos considerar que a vida é imprevisível e que uma dose generosa de flexibilidade é super necessária para que a rotina não fique rígida nem se torne mais um instrumento doente de cobranças no casamento.
Vale lembrar também a fundamental importância das redes de apoio, familiares, de amizade e de serviços. Por mais saudável, organizado e disciplinado que um casal seja, ele precisará de uma rede bem desenvolvida para não gerar uma sobrecarga no casamento e nos indivíduos. São muitas responsabilidades e até mesmo pedir e organizar as fontes de ajuda, é uma função adequada para um casal adulto que está cuidando das necessidades familiares.

Para uma família onde o casal é separado e a guarda do filho está com um deles, a rede de apoio se torna mais importante ainda para que o cuidado do indivíduo consigo mesmo não fique a margem.
Para conferir o que escrevi sobre o cuidar de si, nos quesitos físico, emocional e psicológico, intelectual e espiritual, veja o post anterior,  “Enquanto o amor não vem, aprenda a cuidar das suas necessidades”.
Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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2 comentários:

  1. Como mencionado em seu artigo, uma boa dose de flexibilidade é necessária para quem se dispõe a viver a dois, sob um mesmo proposito.
    Abraços

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    1. Obrigada pelo comentário Dado. A flexibilidade precisa estar presente todos os dias, pois mesmo quando o casal faz um planejamento, a vida é imprevisível, principalmente a vida com filhos pequenos: é uma doença que aparece, tem que levar ao médico, ou ficar acordado a noite inteira cuidando da febre da criança e consequentemente cansado no outro dia... A agenda precisa ser re-feita constantemente. E quanto mais afinado for o casal, trabalhando na construção do companheirismo, melhor vai lidar com os imprevistos da vida. Um abraço, Adriana.

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