sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

ENQUANTO O AMOR NÃO VEM, APRENDA A CUIDAR DAS SUAS NECESSIDADES

ENQUANTO O AMOR NÃO VEM, APRENDA A CUIDAR DAS SUAS NECESSIDADES

relacionamentos, cuidar de si, carências emocionais, necessidades essenciais, responsabilidade
No título deste texto, utilizei uma parte do título do livro da Iyanla Vanzant, “Enquanto o Amor não Vem”. A autora aborda todo um processo de busca pessoal, onde existem etapas de preparação individual para a chegada do amor. Ela utiliza a metáfora das subdivisões de uma casa, do porão até o sótão. Descreverei melhor suas etapas em outro texto. Aqui, enfatizarei mais a questão do cuidado de si mesmo, com a perspectiva de que esse aprendizado facilitará que você entre nas relações de uma maneira mais saudável e com menos expectativas.
Costumamos buscar nas relações o parceiro salvador(a), herói (heroína) e príncipe encantado (princesa encantada), que irá nos salvar da nossa miséria existencial. Infelizmente tenho uma péssima notícia pra dar: ninguém é capaz de nos salvar! E a ótima notícia contraposta é: somente nós mesmos podemos nos “salvar”.
Mas eu prefiro substituir a ideia da salvação pela de responsabilização. Um adulto saudável é capaz de cuidar responsavelmente das suas necessidades essenciais.
É na história de vida de cada indivíduo que podemos encontrar as origens das carências emocionais mais profundas. Famílias saudáveis conseguem nutrir seus filhos da melhor forma possível, mas ainda assim alguns traumas podem ficar registrados. As famílias disfuncionais nem sempre conseguem nutrir as necessidades básicas dos seus filhos como alimentação, acolhimento, afeto, segurança, reconhecimento, incentivo, etc.; isso sem falar de situações de violência que acabam gerando traumas destrutivos. Há ainda aquelas famílias que na aparência são ótimas, mas na afetividade são muito comprometidas. Nessas, é mais difícil identificar a carência pois os pais estavam lá o tempo todo e faziam todas as tarefas da casa e do cuidado, o problema era a falta de disponibilidade emocional, e para os filhos é muito confuso e eles ficam presos numa dupla mensagem contraditória, pois sentem a falta emocional mas não podem denunciá-la contradizendo a aparência.
Se na infância essa falta emocional foi muito significativa, o indivíduo crescerá carente, e sem ter aprendido como cuidar de si, pois não teve modelos de referência. As duas principais tendências reativas são: buscar pai-mãe nos parceiros amorosos (e/ou também nos filhos), para suprir suas carências infantis ou ficar super “independente” porque não pode confiar em ninguém e assim nunca se entregar verdadeiramente numa relação.
Uma saída possível para não ficar paralisado na reatividade emocional é identificar quais são suas necessidades essenciais e descobrir formas de cuidar delas.
Muitas vezes é necessário ultrapassar as barreiras da cultura e da religião que colocam os pais num pedestal de sacralidade. E outras vezes é fundamental ultrapassar a própria negação, ou seja, retirar a viseira que nos faz esconder de nós mesmos a infeliz realidade (ou as partes infelizes) que foi nosso passado e nossa história de origem. É necessário reconhecer nossos pais (ou cuidadores) como humanos, com todas suas limitações e dificuldades. E assim identificar nossas carências mais profundas.
As principais carências podem ser: de cuidado físico, de alimentação e nutrição acolhedora, de recursos materiais, de carinho, de amor, de respeito físico e mental (agressões físicas e morais), de liberdade de ser e pensar diferente, de proteção e de limites claros entre as pessoas, de orientação para saber como dirigir a própria vida e de organização e cuidado com a própria vida.
Identifique as suas carências e tente descrevê-las com mais detalhes. Nesse momento também será necessário que você acolha sua dor. Se dê a permissão de senti-la, não se culpe e não se puna pelo que você sofreu. A inadequação foi de seus pais ou responsáveis, eles eram os adultos que deveriam cuidar bem de você. Infelizmente eles eram imaturos o suficiente para não saber como fazê-lo melhor e provavelmente repetiram o que aprenderam nas suas próprias origens.
Por trás de suas carências, estão suas necessidades essenciais*. Quais são elas?
1.    Você está cuidando do seu corpo físico? Faz exercícios ou tem alimentação saudável?
2.    Você está cuidando do seu “mundo” psicológico e emocional? Se dá o direito de sentir? Se dá o direito de ser humano com qualidades e defeitos, erros e acertos? Ou se exige perfeição? Você se dá “uma colher de chá” de vez em quando? Ou é displicente, desorganizado e indisciplinado demais?
3.    Você cuida do seu crescimento intelectual? Lê bons livros? Faz cursos interessantes de vez em quando? Se desafia a aprender coisas novas?
4.    E sobre sua espiritualidade? Sabe qual é seu sentido de vida? Vivencia alguma prática espiritual (não necessariamente religião)?
relacionamentos, cuidar de si, carências emocionais, necessidades essenciais, responsabilidadeFica então a pergunta: o que você precisa fazer para cuidar melhor de cada um desses quatro aspectos? Não existem receitas, você terá que criá-las sozinho. Você é único e suas necessidades são únicas assim com a forma de cuidar delas.
Mas antes disso você precisa resolver se realmente quer e está disposto a arcar com todas as responsabilidades de cuidar de si mesmo. Dá trabalho e leva tempo, muito tempo. E mesmo quando estiver decidido, precisa ficar atento pois ainda terá recaídas, na expectativa de que outras pessoas cuidem de você, como pais, parceiros e filhos.
Pessoalmente, posso garantir que vale a pena!
Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH


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* Conferir o livro “O Ritmo da Vida” do autor Matthew Kelly, já referendado nas Indicações de Livros.

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