sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

CLUBE DA LULUZINHA E CLUBE DO BOLINHA

CLUBE DA  LULUZINHA E CLUBE DO BOLINHA

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Nossa busca por laços afetivos para além da família inicia-se cedo. Desde pequenos começamos a construir vínculos com outras crianças da família, da vizinhança, e da escola.  As vezes até um amigo imaginário ajuda a criança a lidar com a ausência parental, necessária por causa das responsabilidades da vida adulta.
No decorrer do crescimento, alguns desses laços se desfazem e novos laços são construídos a partir das novas identificações ou novos contextos de vida. Alguns amigos ficam grande parte de vida e outros se vão por diversos motivos, incluindo brigas, diferenças pessoais que se tornaram muito significativas findando as identificações anteriormente existentes, ou simplesmente pelo distanciamento geográfico.
Na adolescência começam as primeiras paixões, romances e quando surge um relacionamento, o parceiro será também um grande amigo.
Infelizmente temos uma cultura social e religiosa que favorece o distanciamento dos amigos quando se está num relacionamento. Namorados e  esposos “se  transformam em uma só carne”. Lembro-me de amigas que se afastaram de mim quando arrumaram um namorado e de como viviam suas vidas sociais quase exclusivamente em função  do relacionamento.
Parceiros devem sim ter uma dedicação principal e especial entre si, principalmente para se aprofundar na intimidade. É com eles que existe uma maior chance de se viver os diversos níveis da intimidade. Porém,  quando o parceiro se  torna sua  única fonte de intimidade, prazer e realização, as expectativas sobre o relacionamento são altíssimas assim como as cobranças, padrões que acabam se tornando tóxicos para a relação. Nenhum  parceiro, por mais bem intencionado que seja, consegue suprir todas as necessidades do seu companheiro. Cada um deve assumir a responsabilidade por suas necessidades. Assim a relação fica mais leve, pois o indivíduo buscará se atender buscando em diversas fontes, não apenas no relacionamento.
Por exemplo, se um parceiro gosta de cinema cult ou atividades culturais e o outro não, nada melhor do que convidar um amigo que também goste e tenha esta identificação com você para frequentar estes espaços. Se um parceiro gosta de futebol e o outro não, juntar-se com os amigos de futebol pode ser um momento de descontração entre eles, e o outro parceiro pode buscar fazer algo que goste, ou mesmo passar um tempo sozinho.
O grande problema para que isso aconteça é quando existe uma grande dependência no casal. Nesses tipos de relação, ter uma vida separada, individual, pode gerar ciúmes, possessividade, insegurança, culpa e acionar no parceiro as piores estratégias de controle do outro na tentativa de resolver seus sentimentos ruins. Este tipo de relação é tóxica quando se torna um padrão de funcionamento a longo prazo, e só funcionará enquanto ambos estiverem afinados nas crenças subjacentes, mas pagando um preço alto da manutenção de sentimentos não resolvidos e padrões muito fechados de relação.
relacionamentos, clube da luluzinha, clube do bolinha, amizade, amigo, amiga, grupo de homens, grupo de mulheres, feminino, masculino, masculinidade, compartilhar, experiênciasNos últimos anos participei de dois grupos de mulheres com dois perfis diferentes. Um de mulheres solteiras (incluindo divorciadas) e outro de casadas, exceto eu. Ambos com diversidade de idades. No primeiro fazemos uma leitura de capítulos de um livro combinado e discutimos sobre ele e sobre nossas vidas, dificuldades e aprendizados. No segundo grupo vemos um filme e comentamos nossos sentimentos, identificações e associações com nossas vidas. São meus dois “Clubes da Luluzinha”.
Nesses grupos temos a intenção de compartilhar nossas experiências e ouvir das amigas o que pensam e o que enxergam, percepções que as vezes não conseguimos ter por estarmos demasiadamente envolvidas na situação. Temos total abertura para falar honestamente, de forma amorosa, numa tentativa de ajudar no crescimento umas das outras. Nessas conversas descobrimos coisas que precisamos trabalhar em nós mesmas e descobrimos o caminho trilhado pelas outras em busca do crescimento, que nos serve de modelo e alternativa.
relacionamentos, clube da luluzinha, clube do bolinha, amizade, amigo, amiga, grupo de homens, grupo de mulheres, feminino, masculino, masculinidade, compartilhar, experiênciasOuvi de um cliente homem, há alguns anos atrás, sobre o “Clube do Bolinha” que ele participava, também na busca de  fortalecimento do masculino através da troca de experiências entre eles. As mulheres do meu grupo de casadas tentam incentivar seus maridos a formarem um grupo de homens, mas infelizmente eles ainda não assumiram o espírito dessa aproximação.
Ter um grupo de amigos que você possa contar para compartilhar sentimentos e experiências é uma grande oportunidade de crescimento. Cada pessoa tem algo a dar, mesmo que seja uma devolução dolorosa, mas sincera e honesta. Fico muito feliz com o grande aprendizado que adquiro ao conviver com mulheres tão diferentes de mim. Assim vou desenvolvendo outras facetas do meu feminino também.
Fica meu incentivo aos homens para criarem seus grupos de crescimento, e possam encontrar novos modelos de ser homem, construindo novas posturas na vida e nas relações. Nos últimos tempos, os pais no geral, foram muito ausentes, sendo a criação dos filhos responsabilidade das mulheres, muitas vezes raivosas contra os homens. Inclusive nas escolas o quadro de professores é predominantemente feminino, o que afetou profundamente a construção da masculinidade dos meninos. Assim, eles não tiveram referências boas e fortes de ser homem, além de possuírem referências culturais muito limitantes, especialmente no que concerne a sexualidade, a expressão de sentimentos e aceitação da própria fragilidade. Considero uma urgência a necessidade de construir e fortalecer uma nova masculinidade mais saudável, uma Revolução Masculinista.
Enfoco a necessidade de grupos de mulheres e grupos de homens, e não de grupos mesclados (que também são importantes), por considerar que são oportunidades de fortalecimento do feminino e masculino respectivamente. É uma proposta específica: mulheres aprendem sobre o feminino com mulheres; homens aprendem sobre o masculino com homens.
* Clube da Luluzinha e Clube do Bolinha são termos que me remetem a minha infância, fala de minha mãe, referentes as diferenças de gênero na minha família.
** Conferir indicação de livros de feminino e masculino na página de indicações.
Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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2 comentários:

  1. BELA PRODUÇÃO TEXTUAL PROFESSORA* ADRIANA!

    PALAVRAS SUAVES QUE REFLETEM A REALIDADE DAS RELAÇÕES E NOSSAS CONTRUÇÕES SOCIAIS, DESDE A NOSSA PRIMEIRA INFÂNCIA. O QUÃO SOMOS INFLUENCIADOS POR NOSSOS ENCONTROS E GRUPOS E REDES DE AMIGOS E COLEGAS, E PRODUZIMOS SIGNIFICADOS A PARTIR DESTAS EXPERIÊNCIAS EM GRUPO. E SOMOS LEVADOS A REFLETIR COMO NOS COMPORTAMOS EM COLETIVIDADE.

    NOSSA CULTURA, EM CONSTANTE CONSTRUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO, NOS INDUZ E NOS CONDUZ A REFLETIR SOBRE NOVOS RUMOS, ESCOLHAS E NOVAS REDES E CONTATOS.

    UM FIME QUE RETRATA BEM ESTA REALIDADE É 'CONTE COMIGO!'.

    SUCESSO!

    PROFESSORA, TIVE O PRIVILÉGIO DE SER SEU ALUNO EM 2008 NA FUNEDI_UEMG - TURMA DE PSICOLOGIA !BONS TEMPOS!

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    1. Olá Matheus, eu me lembro de você quando aluno! Obrigada pelo seu comentário! É isso mesmo, precisamos refletir sobre as influências da coletividade nas nossas vidas, aprendendo a utilizar seus recursos de crescimento e a afastar dos relacionamentos destrutivos. Ter um grupo de amigos na perspectiva discutida no texto, é uma busca por fortalecer as influências benéficas da socialização. Ainda não assisti esse filme que você mencionou mas agradeço pela indicação, irá para minha lista de próximos filmes a assistir.
      Abraços, Adriana Freitas

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