sábado, 4 de janeiro de 2014

A ANDORINHA E A ROSA

A ANDORINHA E A ROSA

INTRODUÇÃO

Há muito tempo atrás eu escrevi este pequeno e singelo conto, quando uma certa andorinha passou pela minha vida. No ano passado eu tive uma grande surpresa e sorte de encontrar outra andorinha, tão especial quanto a primeira, então quis compartilhar meu conto (levemente transformado) aqui no blog. Encontros entre Rosas e Andorinhas são especiais, belos e intensos de se viver, mas são completamente fugazes e duram o tempo de uma estrela cadente. É preciso vivê-los com toda presença possível, captar toda beleza do momento, e é preciso deixa-los partir, e superá-los pois a separação já estava inscrita no cerne deste encontro, o que não deixa de ser um pouco triste. E fica uma imensa saudade... saudade do não vivido, de tudo que podia ser vivido e não o será...


O CONTO

relacionamentos, Conto, Andorinha, Rosa, Natureza, Encontros, Conexão, SaudadeDesde os primórdios da humanidade, Deus entregou a cada bichinho e plantinha um dom que seria sua natureza própria, e durante a vida eles seguiriam seu destino de acordo com esta natureza.
Foi assim que para a Andorinha Deus ofereceu asas para que ela pudesse voar por entre as árvores a procura de alimento e abrigo, ajudando-O na tarefa de polinização das diversas flores por onde se alimentasse. Ofereceu também a sabedoria de voar para lugares distantes quando fosse necessário, se faltasse alimento ou se o tempo estivesse muito frio.
Já para a Rosa, Deus deu a graça de ser bela e charmosa, dotada de um perfume enfeitiçador e de uma delicadeza sem fim. Sua tarefa seria dedicar-se a levar a beleza e perfume ao mundo. No entanto, ao contrário da Andorinha, o alimento da Rosa estaria na terra e para que ela sobrevivesse, ficariam ligadas, Rosa e Terra, por uma raiz forte, todo o tempo. Pensando em sua proteção, forneceu-lhe espinhos para que nenhum predador mal intencionado viesse lhe aborrecer.
Esta historinha é para contar sobre o encontro da Andorinha e da Rosa...
Certa vez, a Andorinha voava tranquila pelo bosque quando começou a sentir fome. Procurava em todas as árvores e não achava um fruto sequer para se alimentar. Foi então que sentiu que sua natureza lhe chamava para o norte e, junto com suas muitas amigas, apenas seguiu seu instinto, empenhando-se numa longa viagem até onde seu destino lhe chamava. Essa viagem durou dias e a andorinha parava apenas para beber um pouco de água e comer alguma coisa.
Quando já estava cansada de voar, chegou a um lindo lugar, cheio de árvores, flores, montanhas, cachoeiras e sentiu que poderia ficar ali até o momento certo de voltar para sua casa. Procurou um abrigo numa árvore frondosa que já possuía alguns habitantes e tinha vista para um jardim grande e florido. Diante de tanta beleza, colocou-se à contemplar tudo o que podia ver.
De repente, a Andorinha foi envolvida por um perfume inigualável, que chegava quase a enlouquecer todos os seus sentidos. Foi levada, magicamente, àquele jardim, voando entre as flores até parar numa em especial: a Rosa Vermelha. Reconheceu imediatamente seu perfume e perguntou-lhe:
- Como pode haver no mundo um perfume tão doce como o seu?
Envergonhada, a rosa ficou ainda mais vermelha e deu um sorriso:
- Você gostou?
A Andorinha imediatamente chegou mais perto e deu um suspiro profundo, como se quisesse absorver todo aquele delicioso cheiro:
- É claro que sim!
A Rosa, então, exalava ainda mais aquele perfume maravilhoso:
- Que cores bonitas e que asas fortes você tem Andorinha!
Quando a Rosa falou isso a Andorinha inchou o peito e orgulhosa de si disse:
- É que eu sempre estou viajando e preciso manter a forma.
Nesse clima de troca de elogios prá lá e prá cá, a Rosa e a Andorinha sentiram uma conexão diferente, um cheiro suave de romance.
E foi assim que todos os dias, a Andorinha passou a visitar a Rosa, uma, duas ou várias vezes por dia. Elas conversavam sobre diversos assuntos: a Andorinha contando de suas viagens e de tudo que tinha visto e vivido pelo mundo afora, seus perigos e belezas. E a Rosa contando sobre como observava e conhecia todas as plantinhas ao seu redor, e como se tornou amiga e conselheira de muitos amiguinhos bichos e insetos que vinham até ela. A Rosa era uma boa ouvinte, e por estar conectada, pés fincados na terra, desenvolveu outras habilidades dos sentidos, diferentemente da Andorinha com suas asas.
E o tempo passava muito rápido e ficavam muito felizes na presença um do outro. E o tempo passou...
Certo dia, chega a Andorinha perto da Rosa, toda sem graça, e como a Rosa já conhecia o temperamento dela, percebeu que tinha algo errado:
- O que aconteceu Andorinha? – perguntou a Rosa receosa.
- É que está na hora... - respondeu a Andorinha.
- Hora de quê? - perguntou a Rosa assustada.
- É tempo de eu voltar para minha terra natal...
A Rosa caiu em prantos e não parava de soluçar. Ela já sabia das viagens e da natureza da Andorinha e que isso acabaria por acontecer, mas ela quis acreditar numa ilusão de que a natureza dos bichos e das plantas podia mudar.
A Andorinha pediu, quase numa súplica para a Rosa:
- Não faça as coisas se tornarem mais difíceis do que já são!
Mas a Rosa não respondeu, e imediatamente caíram algumas pétalas. E por mais que a Andorinha tentasse explicar e insistisse em fazê-la entender que a sua natureza era diferente da dela, não houve mais nenhuma palavra. Foi como se a Rosa tivesse ficado magoada. Mas ela só estava triste, muito triste, sem palavras.
A Andorinha então, deu um beijo na Rosa e foi embora triste, um pouco culpada de deixar a Rosa daquele jeito, mas com a certeza de que era o que tinha que fazer.
A Rosa sentia uma dor e uma raiva profundas e achava que Deus era injusto e queria ter asas como sua amada Andorinha. Por um tempo ela se revoltou contra sua natureza até que seu coração parou de doer e de se enraivecer, e ela voltou a olhar ao seu redor e começou relembrar de como era feliz também antes da Andorinha chegar. Ficou em seu coração a lembrança e a saudade daquele tempo passado com a Andorinha, que se tornaram um alimento para sua alma.
A Andorinha, como era mais racional, lidou melhor com a separação do que a Rosa. Sabia que sua amada estaria sempre ali e quando fosse o tempo certo, poderia voltar para reencontrá-la. Já sentia uma imensa saudade... mas acreditava imensamente em sua natureza.
Nesse encontro, Andorinha e Rosa aprenderam muito sobre suas próprias naturezas e sobre o amor, o que ficará para sempre guardado em seus corações.
Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH


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